
Mais do que uma mostra artística, o Festival Música na Serra tornou-se uma ferramenta essencial para manter os alunos do Instituto Cubatão Sinfonia engajados mesmo durante o recesso escolar. A edição deste ano acontece de 30 de junho a 2 de julho, às 19 horas, no Kartódromo Municipal de Cubatão, dentro da estrutura da Quermesse Municipal, e reúne cerca de 500 crianças e adolescentes dos núcleos CEU, UME Pieruzzi, Schmidt e Cota 200.
Para Éder Crispim, coordenador geral do Cubatão Sinfonia, o evento é uma forma de manter o vínculo pedagógico nas férias e, ao mesmo tempo, prestar contas à sociedade. “É uma devolutiva do que estamos oferecendo aos seus filhos. Uma prestação de contas do que conseguimos fazer com os recursos públicos e privados investidos por meio de emendas impositivas de vereadores e da Lei Rouanet, com o patrocínio de empresas da região”, afirma.
Desde sua criação, o festival passou por diversas adaptações. “No início, queríamos algo nos moldes dos festivais de Campos do Jordão, Londrina ou Poços de Caldas, mas percebemos que seria muito mais caro e trabalhoso. Então, transformamos em um festival interno, com foco didático e descontraído, marcando o encerramento do semestre”, explica Crispim.
Neste ano, pela primeira vez, o evento será realizado em um espaço público. “Teremos, em três dias, apresentações de música e dança dos três núcleos escolares e da comunidade da Cota 200. A ideia é envolver não só os alunos e familiares, mas também o público em geral”.
Mais do que ocupar o tempo livre nas férias, o festival tem como proposta despertar o olhar artístico e coletivo dos estudantes. “A motivação que antecede cada apresentação não se dissipa no dia do evento. É uma oportunidade de cada um observar o desenvolvimento do outro, perceber onde chegou e onde pode chegar”.
A integração entre os núcleos é, segundo os organizadores, um dos grandes ganhos do festival. “Quando os grupos se apresentam uns para os outros, conhecem novos instrumentos e ampliam sua visão dentro do projeto”.
Com 17 anos de atuação, o Instituto Cubatão Sinfonia tem acumulado impacto social expressivo. “A cada ano, cresce o número de jovens interessados em estudar um instrumento ou fazer aulas de dança. Muitas escolas nos procuram para parcerias. É um ótimo ‘problema’: precisamos buscar mais espaços para dar conta dessa demanda”, comemora o coordenador.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem, especialmente na captação de recursos. “O custo estimado é de R$ 150 mil por núcleo. Atendemos, em média, 800 alunos nos quatro núcleos. O investimento anual por aluno é inferior a mil reais — menos de R$ 100 por mês. Onde mais se oferece, por esse valor, pelo menos uma aula semanal de música? E nós oferecemos quatro”.
A Lei Rouanet tem sido fundamental para a manutenção do projeto. “A CMOC, de Cubatão, e a BEQUISA são nossas parceiras fiéis. A CMOC nos apoia desde 2009, sem interrupções. A BEQUISA está conosco há quase uma década. Ainda assim, há espaço para mais envolvimento da iniciativa privada. Algumas empresas apoiam projetos apenas nas cidades onde têm sede, e não onde estão suas fábricas. É uma barreira que ainda esperamos superar”.
Para além da formação musical, o projeto fortalece a identidade cultural e o desenvolvimento humano dos jovens. “Eles crescem muito no percurso até o palco. Mesmo que a formação artística não seja nosso objetivo principal, é bonito ver esse processo acontecer”, destaca. O trabalho coletivo também é incentivado. “A prática em grupo facilita o aprendizado. Um aluno observa o outro e aprende — muitas vezes sem precisar da intervenção do professor”.
Diante de tantos resultados, Éder Crispim defende que o apoio à cultura local vá além da valorização artística. “Trata-se de política pública estratégica. Existem estatísticas mundiais que comprovam: para cada real investido em cultura, o retorno é cinco vezes maior em forma de arrecadação de impostos e economia nas áreas da saúde e segurança”.


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