
Retratar o próprio território com sensibilidade e autenticidade. Esse é o propósito do projeto “Pega Visão”, que chega à sua 3ª edição promovendo novos talentos da fotografia em Santos. A iniciativa da Secretaria de Cultura (Secult) resultou em uma exposição no Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), com 16 imagens produzidas por moradores e trabalhadores do bairro São Manoel, na Zona Noroeste da cidade, e pode ser visitada até o dia 15 de agosto, de segunda a sexta-feira, com entrada gratuita.
A mostra oferece um recorte afetivo do cotidiano local, revelando paisagens, personagens e detalhes que muitas vezes passam despercebidos. O bairro, banhado pelos rios dos Bugres e Casqueiro, na divisa de Santos, Cubatão e São Vicente, tem parte significativa de suas moradias construídas sobre palafitas — uma realidade que ganha novos significados quando vista pelas lentes de quem a vive. Os registros estão expostos na sala Anderson Bianchi do MISS.
Para Raquel Pelegrini, assessora técnica da Secult, o projeto busca promover uma nova percepção do território pelos próprios moradores. “A ideia é que a comunidade reconheça o lugar onde vive não apenas pela beleza, mas por suas características únicas. Isso gera empoderamento”, afirma.
O fotógrafo Thaigo Costa, também morador do São Manoel, realizou uma formação teórica e prática com os participantes. Com experiência em fotojornalismo e atuação em projetos de ONGs locais, Thiago abordou conceitos básicos de fotografia, técnicas de composição, enquadramento e tratamento de imagem. Exemplos de campanhas de grandes marcas foram usados como referência para tornar os conteúdos mais acessíveis.
As oficinas, foram realizadas ao longo de dois meses, reunindo jovens e adultos em suas vivências. “Mais do que ensinar fotografia, quis mostrar que a arte pode ser um caminho profissional, especialmente para os mais jovens”, explica Thaigo. Segundo ele, muitos participantes despertaram para novas possibilidades de futuro por meio da arte. Como é o caso de Tainá dos Santos, de 14 anos, que pretende trabalhar com o audiovisual. “Quem sabe, com filmes e séries”, comenta.
Para os moradores mais antigos, o impacto da oficina foi outro: a redescoberta do próprio bairro. O exercício do olhar permitiu enxergar com mais atenção — e também com mais afeto — espaços antes vistos apenas no automático do cotidiano. “Ao mesmo tempo em que a gente se depara com uma realidade mais dura, há belezas que eu não enxergava. Hoje me sinto mais próxima do lugar onde vivo”, conta Jéssica Vieira de Melo, que conhece o São Manoel desde que nasceu.
Já Maria Eduarda dos Santos, técnica de biblioteca em uma escola da região, participou com outro objetivo. “Quis buscar um olhar diferente sobre o bairro. Me aproximei mais da realidade dos alunos e acho que hoje tenho uma compreensão mais completa das coisas”.



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