Cena

Exposição na Pinacoteca mergulha no universo sensível de Naji Ayoub

26/05/2026 Isabela Marangoni
Divulgação

A pintura como experiência sensorial, marcada pela relação entre gesto, matéria e cor, conduz a exposição “Naji Ayoub e o Campo Vivo da Pintura”, em cartaz até 28 de junho, na Pinacoteca Benedicto Calixto, dentro da programação da 4ª edição do Arte na Pinacoteca. A mostra reúne cerca de 30 telas do artista libanês Naji Ayoub e propõe ao público uma imersão em uma obra construída a partir do movimento, da emoção e da constante transformação.

Com curadoria voltada à ideia de transformação contínua, a exposição apresenta a pintura como um campo aberto e vivo, em permanente mutação. O chamado “campo vivo” de Ayoub não se define por um estilo fixo, mas por estados transitórios, equilibrando forças opostas como presença e ausência, intensidade e silêncio, densidade e vazio.

Aos 71 anos, o artista celebra quase seis décadas de trajetória artística. Morando no Brasil desde os 17 anos, o artista descobriu ainda na infância sua paixão pela pintura. Sua inserção no circuito artístico começou em 1968, na Universidade Americana de Beirute.

Exposição e carreira
O visitante é conduzido por obras de forte caráter expressionista, marcadas por cores vibrantes, pinceladas carregadas de movimento e formas geométricas. A mostra ocupa o saguão principal da Pinacoteca e outras duas salas do Casarão Branco.

Ao percorrer a exposição, o público é convidado a observar a pintura para além da imagem finalizada. As obras revelam camadas, texturas e espaços de respiro que coexistem na superfície, criando composições que alternam contenção e explosão cromática. Essa tensão entre os opostos é um dos elementos centrais da pesquisa do artista.

A produção de Ayoub também se aproxima de uma dimensão tátil e quase escultórica. As telas deixam de funcionar apenas como suporte e passam a se comportar como corpos em transformação, registrando o gesto como experiência sensível. O resultado são trabalhos marcados por ritmo, pausa e variações visuais que aproximam a pintura de uma experiência musical. “Desde criança adorava pintar, ficava horas pintando. Com o passar dos anos, fui encontrando novos rumos e técnicas. O interessante é que as descobertas nunca acabam. Sou um artista em constante mudança, indo do concreto ao expressionismo”, afirma.

Segundo Ayoub, cada fase de sua trajetória surge do esgotamento de um tema e da necessidade de investigar novos caminhos. “O sentido do meu trabalho é criar espaço entre vários elementos da pintura. Ora com camadas matéricas, ora com ausências. Não há reverência à continuidade. Cada fase caracteriza o interesse por um único tema até esgotar a matéria”, explica.

O artista destaca ainda que sua produção não busca representar o mundo objetivo, mas provocar estados emocionais e intuitivos. “É impossível entender a arte contemporânea sem entrar num estado emocional. A emoção ocupa o lugar da racionalidade e do planejamento”, completa.