
Sérgio Guedes é ex-goleiro com passagens por Santos, Ponte Preta, Cruzeiro, Internacional, Goiás e Portuguesa Santista, onde se tornou ídolo como treinador. Na sua terceira passagem pelo clube Rubro-Verde no comando do elenco, ele acaba de garantir o segundo acesso do time à Série A2 do Campeonato Paulista de 2027, repetindo o feito de 2018.
Agora, ele busca a taça. Com a Briosa dependendo apenas de si para ser campeã da A3 e com o Ulrico Mursa lotado, Sérgio encara a possibilidade do título como um presente do elenco para coroar a campanha estrelada. Em entrevista ao Jornal da Orla, o treinador detalha o processo de colocar a Portuguesa no lugar de onde não deveria ter saído.
CONFIRA
– Sérgio, com o time já na Série A2 do ano que vem, você já iniciou algum tipo de planejamento para 2027? Pretende continuar na Briosa para disputar o Campeonato?
SG: Eu faço sempre alguma coisa na vida conforme a gente vive. Você nunca deixa de fazer nada. Você joga uma competição conhecendo pessoas profissionais. Então já é uma coisa inerente naquilo que a gente constrói. Mas é um sentimento meu e depois vem o do clube. E se houver entendimento parecido, não vejo razão para não acontecer.
– Esse elenco tem muitas personalidades diferentes, mas todos parecem estar na mesma página. Qual o segredo para fazer com que todos tenham o mesmo foco?
SG: Isso na verdade é um entendimento que a gente teve na apresentação. Porque quando chegaram aqui, em nenhum momento a conversa foi boa campanha, futuro profissional, o próximo contrato… Não, era fazer uma história, era trazer o time de volta. E eu acho que quando você consegue colocar todo mundo na mesma vibe isso vai sendo agregado e vai sendo contagioso. Tanto é que o resultado foi altamente expressivo. E que bom que tenha sido assim porque a ideia era, de verdade, trazer o clube de volta.
– Qual o diferencial dessa conquista para os outros times vencedores que você montou?
SG: Tem muita peculiaridade nisso. Eu acho que a linha de conduta, de comportamento, é sempre direcionada para a mesma coisa. Então, eu não sinto que há alguma coisa diferente das outras vezes. Você lida com personalidades e você vai procurando entender, para que a gente consiga direcionar para o mesmo caminho. E aí eles começam a se entender, começam a perceber que eles são melhores do que eram, porque a gente provoca isso e desafia eles a estarem sempre crescendo. Talvez essa junção de entendimento e sentimento é que faz com que o crescimento de um time de futebol, somando as individualidades, ocorra.
– Você abriu mão de propostas melhores para voltar para a Briosa?
SG: Sim, mas desnecessário dizer, porque foram escolhas. Então, a partir do momento que você faz uma escolha, tudo mais é irrelevante. Eu acreditava demais nisso que aconteceu, de verdade. Eu conheço o clube e, mais do que muita gente, eu tinha esse entendimento de que era extremamente importante a volta imediata (para a série A2) e foi o que aconteceu. Então a gente se sente orgulhoso e a escolha acaba mais do que nunca tendo sido a melhor possível.
– Como você avalia essa sua identificação com a Portuguesa e com a torcida?
SG: Bom, eu acho que uma coisa é muito ligada na outra? Não existe nada forçado, as coisas vão acontecendo, você vai realizando, você vai tendo apoio, confiança, vai aumentando a responsabilidade, cria uma expectativa… Então, eu acho que isso é uma coisa muito natural. Não tem receita para isso não, tá? Se você força uma situação, possivelmente ela não dá certo. E aí vêm os resultados, que talvez tenha sido o que fortalece tudo. Quando você tem no seu trabalho tudo aquilo que o torcedor gosta de ver, um time confiável, pessoas comprometidas, e aí você traz o resultado, talvez essa seja a razão ou a atmosfera, a energia que faz com que haja essa reciprocidade de sentimento, que é meu também perante tudo aquilo.
– Sua experiência como atleta reflete de qual forma na sua maneira de treinar?
SG: Ah, tem muita coisa. Se você adquirir jogando, você traz isso da vida mesmo. Não tenha dúvida que tem tudo a ver com o que a gente foi como atleta. A gente só tem que saber colocar. Porque quando você quando você joga você tem a solução para todos os problemas, quando você dirige não é mais assim aí você tem que ser mais cordial, mais compreensivo, mais paciente, tentar persuadir as pessoas… Então, na verdade, o que faz você ter um comportamento bacana são os teus exemplos.
– E fora dos gramados: como é sua relação com a cidade de Santos?
SG: Melhor possível. Na verdade, é muito maior do que poderia ser, porque eu tenho a minha relação com os dois clubes, né? A minha relação como atleta com o Santos, como treinador com a Portuguesa, eu acho que tem o mesmo tamanho de importância, sabe? Porque elas foram recheadas de êxito, né? Cheguei à seleção brasileira pelo Santos, consegui acessos na Portuguesa, bons campeonatos, o reconhecimento, o respeito, da mesma forma nos dois lugares, com funções diferentes. Então, na verdade, não em como não dizer: Eu sou nascido em Rio Claro, mas não tenho dúvida que eu me transformei num Santista.
– Você consegue se desligar um pouco dos jogos e ter momentos de distração sozinho ou com a família?
SG: Só quando vence. E momentos bem específicos. Quando eu estou participando de alguma coisa que eu tenho importância e tenho um desejo, essa é a minha prioridade. A minha família entende isso. Não sei nem se comunga e gosta disso, mas entende. Então, eu me acho um profissional muito intenso, muito comprometido, envolvido com o que eu gosto e quero fazer. E é evidente que a família tem uma relevância muito grande, ela até participa muito, mas elas entendem os momentos bem específicos que eu vivo, porque elas sabem que aquilo é a minha prioridade. Mas existem os momentos, as ocasiões, as quais a gente apaga, desliga tudo. E aí não é só com a família, não, é também com alguns hobbies que eu tenho. Para que eu possa de verdade relaxar um pouquinho. Porque senão você se amargura muito.


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