Política

Estacionamento de canoas havaianas na Ponta da Praia gera impasse

18/10/2025 Marco Santana
Marco Santana

Com o objetivo de não deixar à deriva a organização do estacionamento de canoas havaianas na Ponta da Praia, a Prefeitura e a Câmara de Santos estudam soluções para disciplinar o segmento. Não vai ser fácil encontrar uma saída consensual. A complexidade da questão ficou evidente na audiência pública realizada quarta-feira (15), no Legislativo santista.

A canoa havaiana tornou-se um verdadeiro patrimônio para a cidade, não só em relação à quantidade de praticantes, mas principalmente pelos valores agregados à modalidade – além da atividade física em si, proporciona diversos benefícios em termos de sociabilidade, contribui na recuperação de problemas de saúde e fortalece o vínculo com a natureza, entre outros.

Introduzida no Brasil pelo campeão Fábio Paiva, há 25 anos, a modalidade cresceu e, com o tempo, começaram a aparecer os efeitos colaterais.

O número de embarcações cresceu em escala exponencial. O projeto de reurbanização da Ponta da Praia previa, inicialmente, lugar para 24 canoas. O número de espaço foi ampliado para 48 e, recentemente, para 76. Mas é maior: na noite de quinta-feira, o Jornal da Orla contou 98 canoas havaianas estacionadas, entre o Canal 6 (em frente ao quiosque do Zé do Coco) e a área em frente ao Clube de Regatas Saldanha da Gama.

As reclamações começaram a aparecer: embarcações paradas na parte do calçadão reservada para pedestres, em frente a faixas de segurança, na parte superior do Posto 7, sobre jardins, servindo de esconderijo para entorpecentes…

REGULAMENTAÇÃO
Poder público e remadores são unânimes em reconhecer a necessidade de regulamentar o estacionamento das canoas havaianas. A Prefeitura recebeu 21 notificações do Ministério Público, cobrando providências. O impasse está em definir quais serão, exatamente, as regras.

Na audiência pública na Câmara, o coordenador dos Esportes de Praia, da Secretaria Municipal de Esportes, José Roberto de Oliveira, revelou que está sendo preparado um processo licitatório que vai definir quais canoas, e em quais locais, ficarão estacionadas.

Na reunião, houve quem defendesse que apenas quem já possui embarcação estacionada na Ponta da Praia tenha direito a permanecer no local. Também foi sugerido que as canoas sejam colocadas nas laterais de todos os canais ou no parque Público do Emissário Submarino (e não apenas na Ponta da Praia).

O vereador Paulo Miyasiro (Republicanos), que convocou a audiência pública, sinalizou: “Nem sempre a gente vai conseguir atender tudo, porque há leis, temos que seguir normas”, disse. A regulamentação virá e certamente não agradará a todos. Mas o assunto não pode ficar à deriva.