
Uma caminhada às margens do rio Danúbio, em Budapeste, deu origem à mais nova obra do professor e escritor santista Marcos Fernando Prandi. Diante das esculturas de sapatos que homenageiam as vítimas do Holocausto, Prandi encontrou a inspiração para seu terceiro livro, Os Sapatos à Margem do Danúbio, que será lançado no dia 7 de novembro, às 18 horas, na Livraria Martins Fontes.
“Aquilo me impactou profundamente. Minha esposa, que é judia, não se impressionou tanto, mas eu fiquei. São 60 pares de sapatos de ferro, representando os judeus que eram mortos e jogados no rio. A maldade era tamanha que eles tinham que deixar o sapato, porque havia um mercado paralelo de calçados”, recorda o autor.
A experiência aconteceu em 2019, durante uma viagem pelo Leste Europeu. No ano seguinte, em meio à pandemia e às aulas remotas na FATEC, Prandi encontrou tempo e silêncio suficientes para transformar aquela experiência em literatura. “Em 2020, preso em casa, comecei a escrever o livro. Mas deixei ele adormecido, porque o livro precisa amadurecer. A cada ano, cortava, acrescentava, amarrava a história. Muitas vezes fui dormir sem saber como terminar um capítulo e acordei com ele pronto. É uma atividade deliciosa”, afirma.
A narrativa mescla memória histórica e ficção: acompanha a trajetória de uma família judia que foge de Budapeste em 1938, em plena ascensão do nazismo, e parte rumo ao Brasil. “Era muito difícil conseguir o visto naquela época, porque Getúlio Vargas estava mais inclinado ao lado de Hitler e Mussolini do que ao dos aliados”.
Entrelaçar realidade e imaginação é uma marca do autor. Seu primeiro livro nasceu de uma peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela; o segundo, Carta para Nina, mistura lembranças familiares e invenção. Neste terceiro trabalho, ele mergulha em um passado coletivo. “Todo livro precisa de motivação e calma. A maturidade vem com o tempo. Nos primeiros livros, não tive essa paciência, mas aprendi”.
O lançamento em Santos será na Livraria Martins Fontes, parceira de longa data do autor. “Escolhi lançar lá porque tenho uma ligação afetiva. Trabalhei naquela região por quase 30 anos e ainda mantenho amigos. É um lugar simbólico para mim”.
No final do livro, ele faz um convite especial aos leitores. “Na última página, coloco meu e-mail e peço que me escrevam. Quando alguém lê, dedica seis, sete horas da vida ao meu livro. Isso é um presente. Me sinto grato, porque é um tempo repartido comigo. O leitor me devolve emoção — e é por isso que eu escrevo”.


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