
Em meio aos conflitos instaurados pelos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio após ataques ao Irã, está o casal de santistas Tainá de Marco e Matheus Tunhollo. Noivos, estão em viagem de férias por um roteiro que incluiu Dubai-Japão-Dubai. Deveriam desembarcar em solo brasileiro nesta quarta-feira (4), mas estão presos na cidade dos Emirados Árabes, na rota das incertezas que abalam a região – voos têm sido cancelados, aeroportos abrem e fecham com frequência.
“Estamos bem, mas assustados. É uma situação nova, inclusive para os árabes aqui. Temos mais medo por causa daquilo que não podemos ver do que pelo que vemos: a vida segue normalmente, a piscina do hotel está cheia, os trabalhadores da construção civil voltaram. Os moradores confiam muito no sistema de segurança, antimíssil”, conta Matheus.
Tainá reforça esse sentimento: “Ontem, fomos ao shopping e quem estava passeando por lá? O sheik e sua família, além de pessoas se divertindo em uma pista de sky que tem pinguins”. O sheik a quem ela se refere é ninguém menos que Mohammed bin Rashid Al Maktoum, governante de Dubai, vice-presidente e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos desde 2006.

Apesar dessa aparente tranquilidade, os dois narram momentos de tensão. “Logo que retornamos para Dubai, vindos do Japão, o aeroporto foi fechado. Naquela madrugada, por volta das 3h40, tocou alarme no celular, no hotel, na rua, houve comunicado em árabe – tínhamos que ter a tradução em inglês para saber. Enfim, foi tenso”, afirma Tainá. “Depois, fomos passear de barco, na volta, escutamos um barulho e vimos no céu o momento em que um míssil ser abatido. Mas fomos conduzidos tranquilamente para o hotel”, diz Matheus. Ele conta que chegaram a sugerir que os dois pegassem um carro e fossem até Omam, onde o aeroporto estava aberto. Mas foram aconselhados a não saírem de Dubai. “Nos disseram que, na região, estávamos no lugar mais seguro. Eles confiam muito na tecnologia de defesa. Dizem que em 2025, apenas um míssil foi abatido; agora, já são 500. A gente fica apreensivo”.

O casal conversou com o Jornal da Orla na manhã de ontem (3), quando deveriam estar embarcando de volta para casa – era final de tarde em Dubai, onde o fuso horário está 7 horas à frente. Mas o voo foi cancelado e remarcado para sexta-feira (6).
Tainá e Matheus dizem que aproveitaram bem a viagem, mas não veem a hora de voltar para casa. “Este susto vai ficar na nossa história, mas não vejo a hora de chegar e me deitar no sofá”, declara Matheus. “A incerteza aqui é geral. Todos estão preocupados com qual será o próximo passo, o que acontecerá depois”.


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