Esportes

Dupla de padel tem paixão pelo esporte e sangue de craques

29/11/2025 Matheus Vieira
Divulgação/Associação Padel Argentina

Com o esporte correndo nas veias, uma dupla santista vem se destacando em um esporte moderno: o Padel. Essa espécie de irmão mais novo do tênis despertou o interesse de Rodrigo Miyashiro e Tiago Macia, dupla que acabou de conquistar a prata no Campeonato Pan-Americano, disputado na Argentina.

“Fizemos uma boa campanha. Para chegar lá, tivemos que ganhar 4 nacionais e 5 estaduais. Perdemos para a Argentina, que é uma potência, tem muito mais apoio e influência no padel. Mas, independente disso, fizemos bons jogos”, conta Rodrigo. “Foi nossa segunda vez representando o Brasil no Pan. Conseguimos um excelente resultado e pretendemos continuar performando em alto nível”, completa Tiago.

A dupla já atua junta há três anos, embora a história os tenha conectado antes disso. Tiago aponta que conhece Rodrigo desde os tempos de escola, quando fizeram parte do mesmo time de futsal. “Depois disso, acabamos nos afastando. Por coincidência, acabamos por conhecer o padel através dos nossos pais e começamos a praticar. A gente se dá muito bem tanto fora quanto dentro de quadra, o entrosamento é fundamental para um esporte realizado em duplas e isso ajuda nos resultados que estamos tendo ao longo desses anos”.

Rodrigo Miyashiro é sobrinho do ex-triatleta olímpico e atual vereador em Santos, Paulo Miyashiro. Foto: Maycon Muniz/ Padel RG

Em ascensão

Esta modalidade tem seu primeiro registro ao final dos anos 60, com sua primeira partida oficial acontecendo no México, e funciona como um tênis indoor, contando com paredes para cercar a quadra. Rodrigo e Tiago já praticaram tênis e afirmam que a dinâmica da partida é totalmente diferente, especialmente pela presença das paredes. “Deixar a bola passar é uma dificuldade inicial. No tênis, isso não pode acontecer, você perde ponto por deixar a bola passar. No padel, você precisa mudar essa mentalidade e aprender a jogar com a parede”, aponta Rodrigo. “Ao mesmo tempo que os vícios de tenista geram uma dificuldade, também facilitam algumas coisas. Ter a base de movimentos como voleio e smash, além do controle da bola, é fundamental para o Padel”, ressalta Tiago.

Atualmente, o padel luta para se tornar uma modalidade olímpica, buscando a estreia nos Jogos de Brisbane, na Austrália, em 2032. Para tal, o esporte precisa cumprir uma série de requisitos. Historicamente, um esporte olímpico deve cumprir cinco itens: possuir um regulamento internacional e uma organização reguladora; cumprir as regras do Comitê Olímpico Internacional (COI); seguir e implementar o sistema da Agência Mundial Antidoping (WADA); o esporte não deve envolver o uso de motores ou máquinas e deve ser praticado em 75 países em quatro continentes para homens e em 40 países em três continentes para mulheres, ainda não cumprido pela Federação Internacional de Padel (FIP).

A FIP vem se esforçando para espalhar o Padel pelo mundo e esse desejo também é compartilhado por Tiago e Rodrigo. “A partir daí, o esporte iria decolar aqui no Brasil”, afirma Tiago.

Sangue esportivo

Apesar do sucesso da dupla no padel, ambos vêm de família com tradição nos esportes ditos como tradicionais. Rodrigo é sobrinho do ex-triatleta olímpico e atual vereador Paulo Miyashiro, e Tiago é neto de José ‘Pepe’ Macia, o Canhão da Vila, bicampeão do mundo e ídolo do Santos Futebol Clube.

Eles revelam o apoio da família que, inclusive, é responsável pelo início dos dois no padel. “Meu pai foi convidado por um amigo, achou legal. Eu já tinha feito tênis quando eu era mais novo e, na pandemia, chegou este convite, achei interessante e comecei a jogar”, diz Rodrigo. “Cheguei a fazer natação, futsal e biatlo, que é de onde vem minha família, além do tênis, e minha família sempre me apoiou, independente do esporte que eu escolhesse, nunca houve uma pressão”, completa.

Tiago também conheceu o padel por meio do pai, que jogava com amigos e levava ele e o irmão para assistir. “Até nos arriscamos e jogamos alguns torneios juntos, mesmo sem ter base no esporte, somente no tênis, que era o esporte que praticávamos. Com esses torneios, começamos a pegar gosto pelo esporte. Quando construíram a quadra no Tênis Clube, queríamos jogar toda hora. Depois, abriu a Padel Arena Santos e aí comecei a fazer aulas e escolhi me dedicar ao padel integralmente”, conta. “Tenho uma relação muito boa com meu avô, nunca houve qualquer tipo de pressão para eu jogar futebol. Ele me apoia, me acompanha, torce e vibra pelas minhas conquistas. Sempre me diz que o importante é ser feliz e praticar esportes”.

Tiago Macia é neto de Pepe, ídolo eterno do Santos Futebol Clube. Foto: Arquivo Pessoal