
Entretanto, Santos e Praia Grande perderam posições entre 2024 e 2025; São Vicente se aproxima da “elite”
O estudo é realizado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com GO Associados
Santos e Praia Grande ainda figuram entre as 20 melhores cidades dentro da 17ª edição do Ranking do Saneamento, que mede a eficiência no tratamento de água e esgoto, com foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil. Porém as duas cidades caíram de posição em relação ao levantamento do ano passado. Santos passou da sexta para a oitava posição. Enquanto Praia Grande desceu oito lugares na classificação, de 12º para 20º. São Vicente aparece entre as cinco cidades que mais tiveram variação positiva, subindo da 45ª para a 33ª posição. Nesta edição, Campinas (SP) foi a primeira colocada, seguida por Limeira (SP) e Niterói (RJ).
O estudo é realizado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com GO Associados, e leva em consideração os indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), publicado pelo Ministério das Cidades. O Ranking também é composto pela análise de três “dimensões” distintas do saneamento básico de cada município: “Nível de Atendimento”, “Melhoria do Atendimento” e “Nível de Eficiência”.
Outro fator contabilizado no estudo é o “investimento médio por habitante”, ou seja, o quanto realmente cada município dispende em relação ao que é estabelecido pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) como o ideal a ser conduzido para a universalização do saneamento nos municípios. Esse valor é de R$ 223,82 por habitante.
E nesse quesito, Praia Grande lidera o quadro das 10 cidades que mais investem por habitante, com R$ 616,34, seguida por Santo André (SP), com R$ 608,89 e Aparecida de Goiânia (GO), com R$ 420,99. Guarujá também aparece na lista, em sétimo lugar, com R$ 249,56.
De acordo com a secretária de Planejamento de Praia Grande, Josie Yabuta de Lima Hollanda, esse investimento é fruto de um trabalho iniciado há mais de 15 anos pela Administração Municipal, visando oferecer água encanada, coleta e tratamento de esgoto a todos os domicílios. “O indicador de investimento por habitante é uma importante mostra disso, já que somente 17 municípios investem mais de R$ 200,00 por habitante e Praia Grande investe bem mais do que esse valor”.
Boa parte deste resultado, segundo a secretária, vem do contrato firmado em 2018, “garantindo investimentos em expansão da rede de esgoto para todos os imóveis da Cidade e ampliação da reservação de água para atender também o fluxo sazonal de veraneio”.
Santos também pontua bem no quadro que mede o índice de perdas na distribuição, aparecendo em terceiro lugar, com 7,18% de desperdício. As duas primeiras são Suzano (SP), com 0,88%, e Nova Iguaçu (RJ), com 1,89%. O indicador aponta a relação entre a água produzida e a efetivamente consumida nas residências, que podem ser afetadas por vazamentos, fraudes e ligações clandestinas. Quanto menor essa porcentagem, mais bem classificado é o município.
“É fundamental reconhecer que Santos continua sendo uma das principais referências de saneamento nacional e internacionalmente, seja pela implantação do sistema de canais, desenvolvido por Saturnino de Brito há 120 anos, seja pelo constante desenvolvimento de projetos, programas e investimentos de qualificação do seu modelo de saneamento e urbanização, como o Parque Palafitas, que já iniciou a construção das primeiras 60 casas pré-fabricadas sobre a água no Dique da Vila Gilda, com saneamento básico completo, revitalização do mangue e criação de áreas de lazer e convivência”, respondeu a Prefeitura de Santos, por meio de nota.
A média computada entre as 100 cidades foi de 45,43%, o que representa uma piora em relação ao estudo anterior, quando foi detectada perda média de 35,04%. Este índice é superior à media nacional divulgada no Sinisa, que foi de 40,3%.
Bertioga, Cubatão, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe não entraram no estudo por não estarem figuradas entre as 100 cidades mais populosas do país.
Desde 2009, o Instituto Trata Brasil monitora os indicadores dos maiores municípios brasileiros com base na população, com o objetivo de dar luz a um problema histórico vivido no país. A falta de acesso à água potável impacta 16,9% dos brasileiros e 44,8% não possuem coleta de esgoto, refletindo em problemas na saúde, produtividade no trabalho, valorização imobiliária, turismo e na qualidade de vida da população, impactando profundamente o desenvolvimento socioeconômico do país.


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