Metrópole

Dom Joaquim Mol abre o coração para o JO

07/09/2025 Josi Castro
Fernando Yokota

Em entrevista exclusiva, bispo coadjutor relembra história de vida e sacerdócio

De fala mansa e calma, com um jeitão atencioso e sociável, mas com posições e convicções firmes. Assim é Dom Joaquim Giovani Mol, bispo coadjutor (por enquanto), que deve assumir a Diocese de Santos em breve, assim que for confirmada a renúncia do atual titular Dom Tarcísio Scaramussa, conforme previsto no Código de Direito Canônico.

Nomeado em fevereiro de 2025, pelo Papa Francisco (1936-2025), o eclesiástico, que teve toda sua vida e vivência sacerdotal em Minas Gerais, trocou a brisa da montanha pela maresia em maio, quando assumiu a função de apoiar o bispo em suas funções, ao mesmo tempo em que vem conhecendo melhor toda a área do rebanho de católicos que liderará.

Mas, quem é Dom Mol de verdade? Foi com essa ideia que o Jornal da Orla sentou com o bispo para um “dedinho de prosa”: descobrir suas raízes, saber mais sobre a vida sacerdotal, a experiência como bispo auxiliar em Belo Horizonte e como reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) e também quais são as principais ações que pretende desenvolver com os católicos (ou não) da Baixada Santista.

Nascido em Ponte Nova (MG), no Dia de Reis (6 de janeiro) de 1960, Dom Mol começou sua vida religiosa pela Catequese, aos 15 anos. “Desde muito novo tive o interesse de participar da comunidade. Venho de uma família que sempre teve a questão religiosa bastante intensa e fui estudar numa congregação religiosa, os Salesianos. Então, já crismado e no seminário, mas ainda adolescente, a gente ia para uma comunidade muito pobrezinha, mas de pessoas de muita fé, aos finais de semana. E, lá, levávamos a catequese, junto com outras catequistas mais experientes. E foi assim que começou essa história”, relembra.

Ele faz questão de destacar sua principal característica sacerdotal. “Eu gosto de me apresentar como catequista, porque todo diácono, todo padre, todo bispo, todo pai e mãe cristãos são catequistas, seja de uma forma ampla ou de maneira mais estreita. E catequese significa ajudar as pessoas a crescer na fé”.

Seu chamado para o sacerdócio veio cedo também. “Isso foi clareando aos poucos, mas, desde cedo, ainda no âmbito da minha família, eu ficava entusiasmado quando eu via os padres chegando para celebrar ou realizar alguma coisa. E eu sempre me colocava por perto, ajudando, mesmo sem saber muito das coisas. Aquilo me alegrava, mas também colocava questões dentro de mim. E a vocação foi nascendo devagarinho e se confirmando. E vocação tem que se confirmar constantemente”.

Parceria com Dom Tarcísio vem de muitos anos, sempre marcada pela amizade

A parceria com Dom Tarcísio é antiga. Ambos salesianos, os dois se conhecem desde quando Dom Mol era aluno do colégio Dom Elvesco, de padres salesianos, em Ponte Nova. “Ele não era padre ainda, mas atuava no processo de educação. Ele sempre esteve à minha frente, pois temos cerca de 10 anos de diferença em idade. Nossa primeira missão juntos foi quando fomos designados para uma mesma paróquia, ele já padre e eu seminarista. Éramos nós e dois outros padres numa paróquia com 39 comunidades interioranas, de atividades com a terra e com lavoura de café. Nós planejávamos toda a atividade pastoral com as irmãs salesianas. Ele conhece toda a minha família e eu a dele. Temos muitos pontos parecidos e outros diferentes, evidentemente, mas sempre nos consideramos grandes amigos”

Da atividade catequista para despertar a vocação de educador foi um pulo. Dom Mol é licenciado em Filosofia e bacharel em Teologia pela PUC Minas e Mestre em Teologia. Foi professor e pesquisador na PUC Minas (1990-2022), no Instituto de Filosofia e Teologia Santo Tomás de Aquino, ISTA (1990–2005), no Instituto Marista de Ciências Humanas (1992–1995) e no Instituto Regional de Pastoral Catequética. Também fundou e coordenou o Instituto Superior de Pastoral PUC Minas, ISPAL (1998–2011). E também, por 15 anos, foi reitor da PUC Minas (2007 – 2022).
“Eu tinha 23 anos quando concluí minha primeira formação e já comecei a lecionar. Habilitei-me em Filosofia, Sociologia e História, mas, na verdade me considero teólogo”.

Em cinco mandatos consecutivos à frente do principal complexo universitário de Minas Gerais, com mais de 90 mil estudantes e 2 mil professores, Dom Mol sempre teve a excelência como principal bandeira de sua gestão. “Foi uma grande aventura, mas a gente só consegue fazer um trabalho desse tamanho com um espírito muito grande de humildade, mas com muita firmeza e convicção”.

A convocação do Papa Francisco para trocar as montanhas de Minas pela orla da Baixada Santista coincidiu com um momento de auto-necessidade de mudanças. “Quando terminou meu trabalho na universidade, senti que fosse o passo para que eu pudesse assumir uma nova missão. E quase dois anos depois, o Papa assina minha transferência. Considero isso uma graça de Deus, porque eu já queria sair de lá e enfrentar um desafio novo Eu sou muito tranquilo com as pessoas para falar, para conviver com as pessoas, mas também muito intenso e muito incisivo. Então, eu não me contento com a manutenção das coisas”.

(***Esta reportagem continua no próximo fim de semana,
apresentando as perspectivas e os projetos de Dom Mol para a Baixada Santista)