
O rádio foi — e ainda é — um dos meios de comunicação mais presentes na vida das pessoas. É difícil não guardar alguma lembrança afetiva ligada a uma transmissão, uma voz marcante ou a descoberta de uma nova música. É justamente dessa memória coletiva, somada à curiosidade pelos bastidores e à reflexão sobre o futuro da comunicação, que nasce o documentário ‘100 Anos do Rádio Santista’, dirigido pelo cineasta e radialista Fabrício De Lima.
O longa será lançado nesta terça-feira (12), às 21h, no Cine Roxy 5 (Av. Anna Costa, 443 – Gonzaga), com entrada gratuita. A produção homenageia um dos meios de comunicação mais importantes da história regional e nacional, revisitando personagens, episódios e transformações que ajudaram a moldar a identidade cultural de Santos e de toda a Baixada Santista.
A ideia do filme surgiu em 2022, durante a primeira celebração oficial do Dia do Rádio Santista — data incluída no calendário municipal por meio de um projeto de lei do radialista e vereador Adilson Junior. “Eu perguntei para o meu amigo Marcio Dias quantos anos faltavam para o centenário. Ele respondeu: ‘três’. A partir daí, comecei a desenvolver projetos para produzir o filme”, relembra o diretor.
Arquivos e locutores
A relação de Fabrício com o rádio, porém, vem de muito antes. Formado em Rádio e TV, ele também atuou como repórter, comentarista e apresentador esportivo na Rádio Guarujá. Essa vivência ajudou a conduzir uma investigação que enfrentou dificuldades importantes, sobretudo pela falta de preservação histórica do material radiofônico. “Foi bem difícil, porque não houve um processo de arquivamento dos conteúdos produzidos pelas rádios. Durante algumas entrevistas, ouvi até que, quando as rádios mudavam de donos, os novos proprietários mandavam queimar ou jogar fora tudo o que havia sido produzido durante anos”, conta. Ainda assim, graças à rede de contatos do coprodutor Marcio Dias, a equipe conseguiu acessar bastidores, relatos raros e histórias que atravessam gerações.
Inicialmente pensado como um curta-metragem de 20 minutos, o projeto ganhou novo fôlego após a chegada de patrocínio e foi ampliado para um longa de 68 minutos. Mesmo assim, condensar um século de memória em pouco mais de uma hora exigiu escolhas difíceis. “Temos em média doze horas de conteúdo filmado. A dor do corte foi grande”, admite o diretor.
A seleção dos entrevistados buscou justamente revelar vozes pouco conhecidas do grande público. “Pensei em dar prioridade para ouvirmos quem nunca havia falado ao microfone: proprietários e chefes de departamentos que viveram diferentes fases do rádio na região”.
No elenco de depoimentos estão Áurea Faria, Cláudio Mussi, Eduardo Silva, Evandro Rampazo, Inês Bari, Irineu Alves, Jorge Fernandes, Luiz Torquato, Marco A. Vieira, Rick Santos, Sérgio Willians, Thiago Mansur, Val Tomazini e Walter Dias.
Transmissões marcantes
O filme mostra ainda como as emissoras locais informaram, emocionaram e divertiram gerações, além de contribuírem para a formação da identidade cultural da Baixada Santista.
Entre os episódios recuperados estão o suposto pressentimento do milésimo gol de Pelé, o impacto da chegada das rádios FM e até o encerramento melancólico de emissoras tradicionais. “Existem histórias de alegria, de tristeza e de rivalidade. Mas quem conta e como contam essas histórias, só quem assistir ao filme irá descobrir”, provoca.
Em sintonia com o futuro
A obra traz também uma reflexão sobre o futuro do rádio. “A ideia sempre foi mostrar o passado, o presente e prospectar o que será do futuro do rádio santista”, afirma Fabrício. Para ele, o rádio permanece relevante justamente pela capacidade de criar vínculos afetivos e oferecer curadoria em meio ao excesso de informações contemporâneo. “Quando eu ligo a rádio, o set list já começa tocando as músicas que eu gosto, porque o comunicador e o programador já selecionaram aquilo para aquele dia específico”, observa.
Ao longo do filme, a narrativa busca estimular a imaginação do público — uma das características mais marcantes da linguagem radiofônica. “A linguagem que escolhi procura propor a imaginação, coisa que o rádio realiza com maestria”, explica o diretor. A proposta é dialogar tanto com quem viveu o auge das rádios quanto com as novas gerações. “Essa história se entrelaça com personagens que viveram situações de alegria, tristeza, pessimismo e otimismo. Isso torna o enredo profundamente ligado ao lado humano”, afirma.
Para Fabrício, o rádio santista ocupa um lugar singular na comunicação brasileira. “Através do Porto, a tecnologia radiofônica chegou em 1925 e surgiu uma das primeiras emissoras do país, o Rádio Clube de Santos”. Ele também destaca a influência regional das emissoras locais. “Muitas vezes, músicas tocavam primeiro nas rádios de Santos para depois ganhar o Brasil”.
E resume com uma frase presente no documentário. “O rádio de Santos tem um capítulo histórico no rádio do Brasil”. O lançamento acontece no dia 12 de maio, às 21h, no Cine Roxy 5. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente uma hora antes da sessão.


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