
A 3ª DiversaFeira – Feira da Diversidade de Santos, que acontece neste sábado (28), na Casa da Frontaria Azulejada, reunindo mais de 50 expositores da comunidade LGBT+, é um evento dedicado à valorização da diversidade e ao fortalecimento de redes de apoio, oferecendo uma programação que inclui atrações artísticas, oficinas, debates e até um ato inter-religioso. A feira busca se consolidar como um dos principais encontros de celebração e visibilidade da comunidade LGBTQIA+ na Baixada Santista.
Entre os destaques da edição deste ano, está a realização da 1ª Conferência dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ da Baixada Santista, que integra oficialmente a programação do evento. A conferência visa promover a escuta ativa, o debate político e o encaminhamento de propostas concretas em defesa dos direitos da população LGBTQIA+.
Eduardo Ferreira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de Santos, destacou a importância do evento para a comunidade. “A população LGBT, muitas vezes, tem poucas oportunidades no mercado de trabalho. Às vezes, pela evasão escolar, pela dificuldade, inclusive, de adentrar no mercado de trabalho por ser LGBT. Então, ter um espaço onde você possa empreender traz possibilidades para que a pessoa tenha autonomia. Esse empreendedorismo da pessoa LGBT é extremamente importante para que ela não seja só autônoma, mas consiga também se sustentar e criar toda uma cadeia produtiva também.”
Outra figura importante na luta LGBTQIA+ na cidade que esteve presente na feira foi a vereadora mais votada de Santos nas eleições de 2024, Débora Camilo (PSOL), que reiterou a importância do tema da parada deste ano, “Envelhecimentos LGBT+: Memória, Resistência e Futuro”, para as pessoas da comunidade e para o poder público. “Apesar de Santos ser uma referência para a terceira idade, com muitas pessoas que se aposentam vindo morar aqui, o poder público falha, às vezes, ao negar acesso a questões básicas, como habitação, acesso à saúde e locais de referência para as pessoas mais velhas da comunidade. Então, este tipo de evento, com conferências e empreendedorismo, faz com que possamos enxergar melhor as necessidades dessas pessoas, para que possamos depois fazer um trabalho de maior qualidade dentro da Câmara e do Executivo.”
Além da programação cultural, a DiversaFeira tem papel fundamental na promoção do empreendedorismo LGBT+. Os mais de 50 expositores participantes representam micro e pequenos empreendedores que veem no evento uma oportunidade de apresentar seus produtos, estabelecer parcerias e alcançar novos públicos. Essa valorização da economia criativa é uma das formas mais efetivas de combater a marginalização social e estimular a autonomia financeira dentro da comunidade.
Um dos expositores é Taluan Carichta, escritor e editor, que escreve livros e poesias voltados à comunidade. Carichta explicou como as adversidades fizeram com que ele começasse a escrever e editar livros para ajudar outros autores LGBTQIA+. “Eu comecei como autor e, depois de enfrentar muita dificuldade pra publicar meu primeiro livro, decidi abrir uma editora que apoiasse outros autores da comunidade LGBTQIAPN+, sem cobrar pelos custos iniciais. A gente cobre tudo e depois faz uma parceria no marketing pra recuperar o investimento. Mais do que publicar livros, a nossa ideia é contar nossas histórias com nosso olhar, para alcançar também pessoas de fora da comunidade, para que elas entendam quem somos, para que elas percebam que, por trás das nomenclaturas que nos são dadas, existem também seres humanos que trabalham, estudam e que são iguais a elas, independente das opções sexuais.”
Outro expositor presente na feira foi o padre missionário Almir Roberto Borges, que enalteceu o trabalho feito junto à comunidade e a importância desses eventos. “Enquanto eu atuava como padre, fui descobrindo a realidade das pessoas LGBT através da escuta. Muitas vezes, mesmo com a Igreja dizendo que não tem preconceito, elas relatavam situações de rejeição só por serem quem são. Depois descobri que existiam grupos católicos LGBT e comecei a me aproximar, ouvir melhor, entender mais profundamente essa vivência. Participei de encontros, cursos, e hoje atuo junto à Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT. Meu trabalho é oferecer apoio pastoral e escuta, tanto para pessoas LGBT quanto para seus pais e familiares. Para que possamos buscar a paz dessas pessoas, esse tipo de encontro é importante, para que possamos ouvir cada vez mais e mais pessoas que precisem de uma palavra de conforto.”
Flávia Bianco, vice-presidente da APOLGBT-Santos, ressaltou que a data comemorada neste final de semana vai muito além da festa. “É também um espaço de formação e diálogo. A proposta intergeracional permite o encontro de diferentes vozes e experiências, fortalecendo vínculos e construindo pontes entre gerações. A DiversaFeira reafirma, assim, seu compromisso com uma sociedade mais justa, plural e inclusiva.”


Deixe um comentário