
Pela primeira vez na história os motociclistas do Brasil têm um dia para chamar de “seu”. Este domingo (27) marca o primeiro Dia Nacional do Motociclista de modo oficial. A data foi instituída em 17 de outubro de 2024, com a sanção da Lei 15.006/2024, que determinou também a criação da Semana Nacional de Prevenção a Acidentes com Motociclistas, trazendo medidas de conscientização não só para o público das duas rodas como para todas as pessoas que estão no trânsito.

Atualmente, a frota nacional ultrapassa os 35 milhões de veículos, representando um aumento de 42% ao longo da última década. De acordo com os dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), analisados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), esse crescimento expressivo foi acompanhado por uma elevação de 38,4% no número de condutores habilitados na categoria A, específica para veículos motorizados de duas ou três rodas. Hoje, mais de 40 milhões de brasileiros estão aptos a conduzir motocicletas ou similares.
Na Baixada Santista a frota de motocicletas devidamente registradas é de 283.034, de acordo com os dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) atualizados no último dia 20. Só em Santos são 66.161 veículos. Chamam a atenção também os registros de Praia Grande, que contabiliza 50.546 motos.
Com frota elevada, o risco de acidentes também cresce. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos) registrou 1.382 ocorrências envolvendo motocicletas em 2024 e 436 no período de janeiro a abril de 2025. Houve 15 motociclistas mortos em 2024 e, entre janeiro e maio de 2025 foram 5 vítimas fatais. Já a Senatran contabilizou 12,06 mil motociclistas mortos em 2022. Em 2023 esse número saltou para 13,5 mil.
IRREGULARIDADES
Com o número elevado de mortes, aumenta também a necessidade de fiscalização, sobretudo em relação às motos que circulam sem a devida documentação. O Detran-SP contabiliza 223 infrações na região, entre janeiro e junho de 2025. Somente em São Vicente foram 99 ocorrências.
MOTORS VIVOS
Foi em março de 1999 que cinco motociclistas organizaram, em São Vicente, um grupo voltado não somente ao fomento do veículo, como também um meio para organizar viagens, cultivar a amizade e praticar a solidariedade. Desde então, o Motors Vivos está em ascensão. Hoje são 85 integrantes em todo o Brasil. Além da Baixada Santista, o grupo possui ramificações em São Paulo, Campinas (SP), Campo Grande (MS) e Angra dos Reis (RJ).
“Foi uma ideia que nasceu entre cinco pessoas. Fomos os fundadores. Havia uma carência em reunir motociclistas na cidade, unir um grupo para bem-estar e realizar viagens”, revela Luiz Gouvêa, presidente do clube.

De acordo com o dirigente, o Motors Vivos realiza ações que vão muito além de encontros e viagens. O grupo tem também atividades benemerentes em prol de creches e lares de idosos. “Temos o Título de Utilidade Pública Municipal, pois aderimos a várias campanhas junto com o Fundo Social de Solidariedade de São Vicente”.
Dentre as ações, o Motors Vivos está colaborando com a Campanha do Agasalho e, ao longo do ano, apadrinha festas para as crianças como Páscoa e Dia das Crianças. “Todos os anos, no Natal, nos nomeamos padrinhos de algumas crianças, damos vestuário, calçado e brinquedos, para umas 50 crianças. Já tivemos casos de ajudar em construção e reformas de creches”.
Gouvêa ressalta que cada viagem reserva uma emoção diferente. No entanto, algumas aventuras acabam marcando mais a memória. “Tivemos idas ao Paraguai, para a Argentina, interior do Paraná, ao Sul, mas as que eu mais gosto de fazer são para Mato Grosso do Sul e Angra dos Reis”.
O dirigente lembra que os membros do grupo, assim como qualquer motociclista, estão sob risco nas ruas e estradas, mas que a paz no trânsito só acontece com a mobilização de todos os atores. “Todo motociclista deve ter espírito aventureiro. Uma simples ida de uma cidade para outra vizinha pode ser uma aventura e com dificuldades. Temos que andar com a atenção sempre redobrada, atentos aos movimentos dos carros, às vezes até tentando adivinhar o que o motorista vai fazer. Infelizmente, muitos motociclistas e muitos motoristas não pensam em segurança, mas se você praticar a segurança, tudo correrá bem, sem susto e sem medo. Nossa maior dificuldade é a falta de atenção, de saber medir a potência, tanto carros quanto motos”.


Só posso dar os Parabéns ao Motors Vivos MC do Brasil