
Com mais de 800 filmes inscritos de todo o país e 47 obras selecionadas, o Festival Curta Santos chega à 23ª edição reafirmando seu papel como vitrine da produção audiovisual brasileira e regional. A programação acontece de 5 a 9 de novembro em espaços como o Teatro Guarany, o Cine Arte Posto 4, a Sala Toninho Dantas e o Sesc Santos, incluindo mostras competitivas, debates, homenagens e atividades formativas.
Segundo Ricardo Vasconcellos, diretor-executivo do festival, a seleção dos filmes foi intensa: “Recebemos mais de 800 inscrições entre filmes e videoclipes de todo o Brasil e da região. Desde o primeiro dia, nossos curadores começaram a assistir às obras para garantir tempo hábil de selecionar os títulos para as mostras oficiais. Foram 13 filmes na Mostra Olhar Caiçara, 12 no Olhar Brasilis e 10 na Mostra Videoclipe Caiçara”.
Além das mostras competitivas, o Curta Santos preparou sete sessões especiais, como o Curta Matinê, voltado ao público infantil, que será exibido na Sala Toninho Dantas – Centro Cultural da Zona Noroeste (dias 6 e 7/11, às 9h e 13h30) e no Teatro Guarany (7/11, às 14h30). “É uma mostra não competitiva, pensada para as crianças. Precisamos formar novos públicos para o curta-metragem”, explica.
Novos olhares
A edição deste ano destaca a pluralidade de temas e estilos, com produções vindas de estados como Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e do interior paulista, além de uma presença expressiva da Baixada Santista. “A produção local amadureceu muito, tanto tecnicamente quanto em termos de argumento. Isso é reflexo direto das políticas públicas, especialmente da Lei Paulo Gustavo, que viabilizou muitas produções e permitiu que novas pessoas experimentassem o audiovisual”, comenta o diretor.
O tema do festival em 2025, “CIRCULAR – Conectar, Descobrir, Circular”, reforça a importância da circulação e da troca entre realizadores e público, fundamentais para o desenvolvimento do audiovisual. “O realizador faz o filme, mas depois surge a dúvida: o que fazer com ele? Como chegar às pessoas? A circulação é central para quem produz curtas. Por isso, trazemos esse debate para o festival”.
Essa discussão será aprofundada no 1º Fórum Santista de Cinema, realizado em parceria com o Movimento Audiovisual da Baixada Santista (Mabs), no Sesc Santos, no sábado (8), a partir das 14h30, com entrada gratuita. Serão duas mesas: “Financiamento e Viabilidade das Produções Audiovisuais no Cenário Contemporâneo”, com mediação de Dário Felix e “Vida Longa de Conteúdos Curtos: Distribuição de Curtas-Metragens”, com mediação de Eduardo Bordinhon.
Novidades e homenagens
Entre as novidades está a Mostra Tudo em Pé, dedicada a vídeos de até 90 segundos para redes sociais. “O festival precisa acolher as novas formas de comunicação. Hoje, as pessoas consomem vídeos curtos, então criamos essa mostra para esse formato”, destaca.
Também será inaugurado o Prêmio Carlos Cirne, que reconhecerá o melhor cartaz da Mostra Olhar Caiçara. “O cartaz é o primeiro contato do público com o filme e traduz a essência da obra em imagem gráfica. Com este prêmio, homenageamos o designer Carlos Cirne, grande colaborador do festival”.
Abertura
A abertura será na quarta-feira (5), às 19h30, no Teatro Guarany, com a exibição do longa “O Último Azul”, do diretor Gabriel Mascaro, sucesso em festivais internacionais. Os ingressos serão liberados uma hora antes.
A grande homenagem deste ano é ao ator Nuno Leal Maia, que receberá o Troféu Cláudio Mamberti e terá uma mostra dedicada à sua filmografia. “O Nuno é da nossa terra, tem mais de 40 filmes e uma trajetória marcante no cinema e na televisão. Ele merece todas as honrarias”, afirma Ricardo.
A noite também contará com o curta convidado “A Verdade Dói, Mas é Minha”, dirigido por Iasmin Alvarez, em celebração aos 90 anos do dramaturgo Plínio Marcos, e apresentações da Escola de Samba União Imperial, das atrizes Rosane Paulo, Renata Zanetta e May Rodrigues, e da artista visual Noa Marchese.
Cinema e celebração
As sessões das mostras competitivas — Olhar Brasilis e Olhar Caiçara — acontecem de 6 a 8 de novembro, às 19h e 21h, no Teatro Guarany, com entrada gratuita. A Mostra Videoclipe Caiçara terá sessão única no dia 8, às 18h. Após as exibições, os realizadores conversam com o público, momento considerado “mágico” pelo diretor. “É quando vemos o público reagindo à obra e trocando experiências com os realizadores”.
Além das exibições, o festival promove festas oficiais, com karaokê, shows e encontros informais, promovendo integração entre artistas e espectadores. Para Ricardo, a longevidade do Curta Santos se explica pela paixão de quem o faz e pela missão de manter o cinema vivo na cidade. “O Curta Santos é uma vitrine para o cinema que nasce aqui e uma porta de entrada para novos realizadores. Queremos que as pessoas conheçam o festival e percebam que o cinema nacional — e o cinema feito em Santos — é pulsante e nos representa. O curta-metragem é o espaço do experimento, onde o realizador pode colocar sua essência sem amarras. Quem assistir vai se surpreender com a qualidade e a potência dessas obras”.
Toda a programação está disponível no Instagram oficial do festival: @festivalcurtasantos.


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