
A Baixada Santista virou um grande tapete vermelho nos últimos dias. De 24 de junho a 2 de julho, o 11º Santos Film Fest transformou ruas, salas e até calçadas em palcos para celebrar o cinema. Foram nove dias de pura maratona cinéfila, com 96 obras de todas as regiões do Brasil, uma plateia empolgada e uma constatação animadora: o festival segue firme na missão de democratizar a sétima arte e ampliar o acesso à cultura.
Com o tema “Histórias que ecoam, lições que permanecem”, a edição deste ano atraiu cerca de 50 mil pessoas. Não faltaram sessões lotadas em 12 espaços de Santos e um em São Vicente, debates quentes, exposições e exibições ao ar livre — tudo gratuito e aberto a públicos de todas as idades. Teve desde criança de pipoca na mão até senhorinha debatendo roteiro de curta, passando por adolescentes encantados com as câmeras.
Sob o comando do casal de produtores culturais André e Paula Azenha, o festival reforçou seu lado social e também educacional. Foram 33 troféus distribuídos, incluindo bolsas integrais de estudos oferecidas pela Universidade Católica de Santos para os vencedores das mostras regional e periférica. O evento contou ainda com um batalhão de apoiadores. “Estamos orgulhosos porque ano a ano o festival cresce”, vibra André Azenha. Paula completa: “O festival rompeu a bolha, lotou todos os espaços e mostrou que atinge todo mundo — crianças, idosos, pessoas de diferentes classes sociais. É o festival mais democrático da região”.

A festa de encerramento rolou na Open House Idiomas, decorada com pinturas que homenageiam clássicos do cinema. Foi lá que o público ficou sabendo quem levou os tão cobiçados troféus. O festival ainda aproveitou para reverenciar nomes marcantes como Chico Gomes, Rodiney Assunção, Guilherme de Almeida Prado, Imara Reis, Maurice Legeard e o pioneiro Leyzão, que ajudaram a construir a história do audiovisual santista e nacional.
Na lista de premiados, destaque para “Enquanto o Céu Não Me Espera”, de Christiane Garcia, que faturou o prêmio de Melhor Filme na Mostra Nacional de Longa-metragem. Já o público votou em peso para escolher “Cazuza – Boas Novas”, dirigido por Nilo Romero, como seu favorito. Na seara dos curtas, “Os Quatro Exílios de Herbert Daniel”, de Daniel Favaretto, brilhou como Melhor Filme, enquanto “Nesta Data Querida”, de André Leão, conquistou o público.
Entre os regionais, “Noroeste – Quem nasce tempestade, não tem medo de vento forte”, de Cibele Appes, saiu consagrado com Melhor Filme e Melhor Direção. O curta “Hannah”, de Thomas Mehler, foi o queridinho da galera. Já na Mostra Periférica, “Zé Tonho”, de Lucas Chagas, levou Melhor Filme e Melhor Direção, mostrando a força das histórias vindas das margens.
A pluralidade ficou ainda mais evidente nas mostras de animação, universitária, humanidades e longas-metragens da Baixada Santista. Teve de tudo um pouco: samba, ficção científica, documentários sobre música, dramas intimistas e filmes com pegada social. Os vencedores reforçam o tom do festival: histórias que se espalham, emocionam e resistem ao tempo.
Para quem já está sofrendo de abstinência de telona, calma: a 12ª edição já foi confirmada para 2026. E se depender da empolgação da turma que lotou as sessões este ano, vem mais fila na porta, selfie com diretor e, claro, mais debates acalorados sobre o final “aberto demais” de algum curta experimental.
O Santos Film Fest se consolida como um dos festivais mais democráticos e afetivos do Brasil. Mais do que exibir filmes, ele cria pontes, forma plateias, inspira futuros cineastas e prova que cinema é, acima de tudo, encontro. E, convenhamos, nada melhor do que sair da sala com a cabeça cheia de ideias e o coração batendo mais forte.


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