
No sábado, 31 de maio, Santos foi palco de um importante encontro para o avanço da igualdade racial. A 5ª Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial, sediada no auditório da Universidade São Judas – Campus Unimonte, na Vila Mathias, reuniu representantes da comunidade, movimentos sociais e o governo municipal em um diálogo construtivo. O objetivo principal foi traçar caminhos para o enfrentamento do racismo e a implementação de medidas que promovam a inclusão.
Durante o evento, os participantes mergulharam em discussões significativas sobre temas como a reparação histórica, a superação das disparidades raciais e o fortalecimento da democracia. A conferência valorizou a escuta atenta e a participação cidadã, garantindo que as perspectivas de todos fossem consideradas. A programação incluiu atividades em grupos temáticos, uma inspiradora manifestação cultural, uma sessão plenária final e, para encerrar, a eleição dos delegados que representarão Santos na etapa estadual do evento.
Compromisso santista
Ivo Miguel Evangelista, líder da Coordenadoria Municipal de Promoção de Igualdade Racial e Étnica (Copire), enfatizou a necessidade urgente de debater políticas públicas que beneficiem a população negra. “É um fato que o racismo persiste de forma estrutural. Dados nacionais revelam uma grande diferença social: 70% das crianças negras enfrentam maior probabilidade de nascerem em condição de pobreza, o que leva a 63,8% dos adolescentes a trabalharem em condições desfavoráveis para sustentar suas famílias, e 93% das trabalhadoras domésticas são mulheres negras”, explicou Evangelista.
Apesar dos desafios, o coordenador destacou o papel de Santos como um dos municípios pioneiros no combate ao racismo, reforçando o plano de expandir as iniciativas. “Em um futuro próximo, desejamos criar uma delegacia especializada em crimes raciais, para assegurar o tratamento adequado dessas ocorrências”, acrescentou.
A relevância de trazer essa causa à tona foi sublinhada por Moacir Alves Filho, um aposentado de 66 anos residente no bairro do Castelo. Participando da Conferência em busca de conhecimento, ele compartilhou sua visão. “Como homem negro e morador de Santos, percebo que estamos avançando no combate ao racismo, mas a busca por respeito e uma vida digna é contínua. A discussão sobre a anemia falciforme, que afeta predominantemente a população negra, é um bom exemplo do trabalho que realizamos em nossa cidade”, salientou Alves Filho, que dedicou décadas de sua vida à enfermagem.


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