
Um lanchinho durante um filme já é um convite irresistível. Agora, imagine viver essa experiência com pratos típicos coreanos enquanto assiste a um dorama. Foi assim que o restaurante Mashisseoyo criou o Cine Dorama, uma experiência sensorial que une gastronomia e audiovisual.
À frente do projeto, a CEO Viviane Bergamo, ao lado do sócio Sang In, traz uma relação antiga com o universo oriental. “Eu trabalho com medicina oriental desde quando me conheço por gente. A cultura oriental está impregnada em mim”, afirma.
Esse vínculo a levou à Coreia do Sul, inicialmente em busca de matéria-prima para a Fitofórmula, empresa com a qual já atuava. A viagem, porém, ampliou horizontes. “Na época, os doramas começavam a ganhar força no Brasil, mas pouca gente apostava nisso. Fiquei 45 dias lá, depois voltei e morei mais três meses”, relembra.
O retorno ao Brasil trouxe estranhamento — e também uma ideia. “Eu comia frango frito todos os dias. Como viver sem isso? Vou ter que ir para São Paulo toda semana?”, recorda. A inquietação virou projeto. Após cerca de um ano e meio de testes, nasceu o restaurante, com uma proposta ainda rara na região. “Testamos tudo. Chamava a equipe, a família, perguntava se era vendável. Foi assim que a Mashi nasceu”.
Cine Dorama
O Cine Dorama surgiu quase por acaso, durante a gravação de um conteúdo para as redes sociais. “Pensei: e se exibíssemos doramas enquanto as pessoas comem comida coreana?”.
A ideia dialoga diretamente com o comportamento do público. “Os doramas despertam muitas emoções — você ri, chora, fica ansioso — e os personagens estão sempre comendo. Dá vontade de comer junto”, explica.
A proposta foi transformar um hábito individual em experiência coletiva. “Por que não viver isso junto, com conforto? Um cinema com comida. É diferente”. A resposta foi imediata: em menos de uma hora, mais de 300 pessoas responderam a uma pesquisa online demonstrando interesse.
Comunidade
Mais do que um evento, o Cine Dorama ajudou a formar uma rede de pertencimento. “A ideia sempre foi trazer a Coreia para Santos. E o mais curioso é que, depois que abrimos, começaram a surgir outras iniciativas ligadas à cultura coreana na região. Foi muito orgânico”, observa.
Hoje, esse impacto se traduz em engajamento. “Temos um grupo de WhatsApp com quase 500 pessoas. Elas interagem, se ajudam. Virou uma comunidade”.
A relação próxima com o público também orienta o crescimento do negócio. “Sempre fomos transparentes: estamos aprendendo, ajustando e ouvindo. Eu gosto de estar no salão, conversar, entender o que as pessoas querem”.
O envolvimento ultrapassa o consumo. “Tem cliente que participou de todas as edições do Cine Dorama. No aniversário de um ano, elas comemoraram como se fosse delas”.
Curadoria
A programação é construída com participação ativa do público, mas passa por um filtro cuidadoso. “Recebemos muitas sugestões, especialmente no grupo. Nem sempre precisamos perguntar. Mas avaliamos o que funciona e o que faz sentido exibir”, explica.
As sessões, realizadas mensalmente, ainda estão em fase de experimentação. “Romance é o gênero que mais atrai. Já testamos terror e outros estilos, mas o romantismo sempre se destaca”.
Mesmo sem depender de casa cheia, o projeto se mantém. “Pode ter dez ou cinquenta pessoas. A gente realiza todo mês”. A próxima sessão está marcada para 25 de abril, com ingressos já disponíveis online.
Além das exibições, o evento inclui atividades interativas. “Tem gincanas, sorteios e brincadeiras coreanas. Quem participa pode ganhar brindes ou ingressos”.
Experiência no prato
A gastronomia é parte central da proposta. Durante as sessões, o público encontra um buffet com pratos típicos e novidades. “Já lançamos opções como japchae, além de sobremesas e máquinas importadas da Coreia, como as de sorvete e lámen”.
A conexão entre o que aparece na tela e o que chega ao prato é um dos próximos passos. “Se surge uma comida no dorama, queremos trazer isso para o evento”.
Espaço cultural
Com o crescimento das atividades, o Mashisseoyo ampliou seu papel. “Viramos um centro cultural asiático. Não é só comida, é experiência”, resume Viviane.
O espaço já recebeu eventos como o K-Day, com mais de 12 horas de programação dedicada à cultura coreana, incluindo apresentações de dança tradicional.
Para 2026, o Cine Dorama segue como principal elo com o público. “Mais do que um evento, é uma forma de criar comunidade, apresentar a cultura coreana e fazer as pessoas viverem isso juntas”.


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