Economia

Combustível Sustentável acelera a descarbonização da aviação

27/11/2025 Da Redação
Saulo Cruz

A aviação enfrenta um dos processos de transição energética mais desafiadores do mundo, e o uso de combustíveis sustentáveis o SAF (Sustainable Aviation Fuel/ Combustível Sustentável de Aviação) é o caminho mais promissor. Este foi um dos pontos da palestra do Superintendente de Governança e Meio Ambiente da Agência Nacional de Aviação (ANAC), Marcelo Rezende Bernardes. “A aviação é o setor de transporte mais seguro do mundo, e por isso toda nova tecnologia precisa cumprir requisitos rigorosos antes de chegar ao mercado.”

Hoje, o setor aéreo representa 2% a 3% das emissões globais, mas, segundo o superintendente, “foi um dos primeiros a estabelecer metas claras de descarbonização, mesmo sendo um setor difícil para substituição tecnológica.” Aeronaves dependem de alta densidade energética, o que torna soluções como eletrificação ou hidrogênio ainda inviáveis.

Bernardes destacou que “hoje, tecnologias de baterias são pesadas, têm baixa autonomia e não atendem às necessidades de grandes aeronaves.” No caso do hidrogênio, “os testes ainda são iniciais e exigiriam adaptações caras e complexas, algo incompatível com os padrões de segurança da aviação.”

De acordo com o representante da ANAC, “o SAF precisa ser drop-in, reagir como combustível fóssil e funcionar nos motores atuais sem qualquer mudança estrutural.” Ele explicou que o SAF pode ser produzido a partir de diversas fontes renováveis, “óleo de cozinha usado, sebo bovino, etanol, milho, bagaço de cana, macaúba”. Hoje, a mistura permitida é de até 50%, mas a expectativa é chegar a 100% futuramente.

Bernardes reforçou que a eficiência de redução de emissões depende da matéria-prima e do processo utilizado, podendo variar de 50% a 90%. “O Brasil tem potencial para se tornar protagonista global na produção e uso de SAF”, disse.

METAS

No cenário global, Marcelo explicou que “o CORSIA (programa da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) para a redução e compensação de emissões de CO2) é o principal programa internacional de compensação e redução de emissões”, sendo obrigatório para empresas brasileiras a partir de 2027. Ele também destacou a meta do CAAF (Conferência sobre Combustíveis Alternativos para a Aviação (Conference on Alternative Aviation Fuels) é de que 55% da descarbonização da aviação internacional em 2050 deve vir do uso de SAF.

Para o mercado interno, a Lei do Combustível do Futuro, em vigor desde outubro de 2024, estabelece que as empresas deverão compensar 1% das emissões em 2027, chegando a 10% em 2037, exclusivamente por meio do uso de SAF.