Cena

Cinema, café e memória inspiram oficina para educadores em Santos

27/07/2026 Isabela Marangoni
Divulgação

O que café, cinema e infância têm em comum? Para o jornalista Eduardo Ricci, a resposta está na memória afetiva. Essa é a proposta da oficina Café Cine Degusta – Sabores da Infância, que acontece no sábado (1º), das 9h às 11h30, na Livraria Sol e Lua, na Ponta da Praia.

Voltada principalmente para educadores, mas aberta também a famílias, mediadores culturais e interessados em novas formas de aprender e ensinar, a atividade propõe uma experiência sensorial que une cinema, cultura do café e arte-educação. As inscrições podem ser feitas até 30 de julho pelo blog Sabores do Cinema, por R$ 88.

A oficina reúne dois projetos que Eduardo desenvolve há mais de duas décadas. De um lado, o trabalho com cinema infantil, iniciado no começo dos anos 2000 com o projeto Brincar de Cinema. Do outro, sua pesquisa sobre gastronomia e cultura do café. O convite da Livraria Sol e Lua para criar uma atividade voltada ao público infantil foi o impulso para juntar essas duas paixões. “A ideia de trabalhar com cinema e infância já vem de longa data. Quando surgiu o convite da livraria, uni esse trabalho ao projeto Café, Cine & Degusta, que já desenvolvo há muitos anos, e nasceu a proposta dos Sabores da Infância”, conta.

Mais do que apresentar o café como bebida, a oficina explora sua dimensão cultural, histórica e sensorial. Para Eduardo, o grão também ajuda a refletir sobre o cinema e o processo criativo. “A proposta não é incentivar a criança a tomar café, mas conhecer a cultura do café, entender de onde ele vem, como é produzido e como isso conversa com o cinema. Assim como uma xícara depende de muitas mãos para chegar até nós, um filme também é resultado de um trabalho coletivo”.

Durante duas horas e meia, os participantes vão assistir a trechos de filmes, participar de dinâmicas, exercícios de percepção e de uma degustação de café especial harmonizado com sabores que remetem à infância. A ideia é mostrar como imagens, sons, aromas e sabores podem ampliar as experiências de aprendizagem.

Outro ponto da oficina é a memória afetiva. Segundo o idealizador, tanto o cinema quanto o café costumam estar presentes em momentos marcantes da vida. “A memória já é naturalmente afetiva. O cinema desperta isso por meio das histórias, enquanto o café faz parte de encontros, conversas e momentos em família. A proposta é que as pessoas assistam a um filme de forma mais ampla e percebam tudo o que aquela experiência desperta”.

O brincar também tem papel importante. Ele aparece como uma ferramenta de descoberta e experimentação. “O brincar está ligado à sensorialidade que o cinema e a cultura do café proporcionam. Trabalhamos com músicas, sabores e diferentes estímulos para que cada participante vivencie essas relações e possa levar essas experiências para a sala de aula ou para o dia a dia”.

Para Eduardo, o cinema deve ser entendido como parte do processo de ensino e aprendizagem, e não apenas como um recurso usado em sala de aula. “Vejo o cinema muito mais como um processo de ensino-aprendizagem do que como uma ferramenta. Ferramentas são a câmera, o roteiro, a iluminação. O cinema reúne arte, comunicação e educação e pode ser explorado mesmo sem utilizar uma câmera”.

A inspiração para a oficina também vem das lembranças da própria infância. Uma delas é assistir ao clássico O Mágico de Oz ao lado do pai. “Essas experiências ficaram comigo e ajudam a explicar por que hoje trabalho tanto com cinema, infância e memória”.

A expectativa é que os participantes saiam da oficina com um novo olhar sobre o potencial do audiovisual dentro e fora da escola. “Espero que as pessoas descubram novas formas de trabalhar o cinema na educação, conheçam produções além das mais comerciais e percebam como essa linguagem pode criar experiências significativas para crianças e adultos”.