
A primeira pesquisa oficial sobre preços de produtos de limpeza domiciliar e higiene pessoal em Santos traz ao consumidor uma ferramenta de comparação entre estabelecimentos e dados para o planejamento familiar. A cesta de produtos de limpeza e higiene pessoal custa R$ 80,08 nos supermercados de Santos, segundo o primeiro boletim divulgado pelo Departamento de Orçamento e Gestão da Prefeitura (Deorg) em parceria com a Universidade Católica de Santos (UniSantos) e o Jornal da Orla. O levantamento aconteceu entre 26 de julho e 25 de agosto deste ano, em 22 estabelecimentos comerciais distribuídos pelas quatro regiões da cidade (Orla, Zona Intermediária, Zona Noroeste e Morros). O estudo ainda revela que os produtos de limpeza custam R$ 41,90, enquanto os itens de higiene pessoal somam R$ 38,18.
Entre os itens de higiene pessoal, o creme dental de 90g registra a maior variação de preços. O produto mais caro (R$ 12,07) custa 127,4% a mais que o mais barato (R$ 5,31). O sabonete de 85g apresenta diferença de 103%, oscilando entre R$ 4,40 e R$ 2,17. O desodorante spray varia 73,8%, o papel higiênico com quatro unidade, 43% e o absorvente com oito unidades, 31,2%.
Nos produtos de limpeza doméstica, o sabão em pó de 800g lidera as variações com diferença de 99,65% entre o mais caro (R$ 16,83) e o mais barato (R$ 8,43). O limpador multiuso registra variação de 62,4% e o detergente de 500 ml de 44,3%. O sabão em barra (23,5%) e a água sanitária (25,3%) mantêm preços mais estáveis.
A comparação entre julho e agosto ainda mostra movimentos distintos nos preços. O sabão em barra registra a maior queda (-10,4%), seguido pelo absorvente (-4,2%), papel higiênico (-3,4%), amaciante (-2,6%) e água sanitária (-1,1%). Por outro lado, o creme dental sobe 15,9%, o detergente aumenta 2,0%, o limpador multiuso 1,2% e o desodorante spray 1,0%.
FATORES
A professora responsável pela pesquisa, Dalva Mendes Fernandes, explica os fatores aliados ao aumento das matérias primas que impulsionam o preço dos itens.
“O aumento pode ser explicado pela especificidade de produtos que cada marca utiliza em seus produtos como o flúor: a quantidade dele é um dos principais fatores de variação, medida em partes por milhão (PPM). A concentração varia para adultos (entre 1.000 e 1.500 PPM). Ingredientes como umectantes (evitam o ressecamento), tensoativos (criam espuma) e espessantes (dão consistência) também têm porcentagens variáveis na composição”, ressalta a professora.
Ela também comenta sobre a evolução da demanda por cremes dentais “funcionais” que fazem com que os fabricantes incluam em suas formulações elementos ativos de clareamento, cuidados com gengiva, produtos orgânicos/sem flúor e embalagens sustentáveis.
OBJETIVO
Para a chefe da Seção de Estudos Econômicos de Análise Orçamentária do Deorg, Vanessa Mendes Miranda, a ampliação da pesquisa da cesta básica com a inclusão dos produtos de limpeza e higiene pessoal é de fundamental importância.
“Esses produtos são essenciais nos hábitos de consumo da população. Essa nova pesquisa auxiliará nas decisões do consumidor e na compreensão dos preços dos produtos em Santos”, afirma a chefe.
“Mapear preços e disponibilidade permite que gestores públicos planejem intervenções: seja reduzindo impostos ou distribuindo kits de higiene em escolas, abrigos e áreas de risco. Outro benefício do monitoramento é educar o consumidor”.
Segundo o relatório, esse levantamento surgiu em um contexto de mudanças nos hábitos de higiene após a pandemia de Covid-19. O período intensificou práticas como higienização das mãos, limpeza doméstica sistemática e uso de produtos antibacterianos.
O estudo que ainda conta com estagiários do curso de Ciências Econômicas da UniSantos, sob supervisão da professora Dalva, permitirá acompanhar as oscilações de preços destes produtos que se tornaram centrais na rotina das famílias santistas.


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