Cena

Centro Histórico revive tradições lusitanas na 16ª Festa de Portugal

09/06/2025 Isabela Marangoni
Fernando Yokota

O Centro Histórico de Santos se transformou em um verdadeiro refúgio da cultura lusitana durante a 16ª edição da Festa de Portugal. O evento, gratuito e aberto ao público, celebrou nos dias 7 e 8 de junho a influência portuguesa na cidade com muita música, dança, culinária típica e atrações culturais que atraíram milhares de visitantes.

Realizada pela Escola Portuguesa de Santos, em parceria com a Prefeitura Municipal, a festa ganhou status oficial no calendário cultural da cidade. O evento teve como cenário pontos históricos como o Largo Marquês de Monte Alegre e os Arcos do Valongo. Além disso, chamou a atenção do governo português, que transferiu para Santos as comemorações do Dia de Portugal, com presença das autoridades locais e do governo lusitano.

“A festa é uma retribuição da nossa comunidade portuguesa para a cidade de Santos, que nos acolheu como imigrantes e com quem construímos uma história de sucesso”, afirmou José Augusto do Rosário, presidente da Escola Portuguesa e organizador do evento. “Queremos manter esse legado vivo, resgatando cultura, folclore e tradição portuguesa como um presente para a cidade”.

INTERCÂMBIO CULTURAL E NOVIDADES

A grande novidade deste ano foi a participação inédita de artistas diretamente de Portugal, convidados para estreitar os laços culturais entre os dois países. O grupo Fado Por Acaso, destaque do sábado (7), encantou o público com um repertório autêntico do tradicional gênero musical português. Outros destaques foram o Grupo Tirolli e a cantora Ana Carla Lemos, que apresentaram fusões entre o fado e ritmos brasileiros, simbolizando o intercâmbio artístico da festa.

A estrutura do evento também cresceu significativamente. Entre as inovações, a festa foi estendida para uma semana com programação diária, contando com restaurantes parceiros que ofereceram menus temáticos. Dois palcos de atrações— um principal e outro na praça de alimentação. Uma iniciativa de inclusão marcou presença com um espaço sensorial para crianças autistas, silencioso e isolado do barulho, recebendo muitos elogios. Além disso, houve uma área VIP com camarins exclusivos para ranchos folclóricos e artistas. “A cada ano ampliamos, melhoramos e pensamos no conforto do público. Não dá para improvisar. Tudo é planejado com meses de antecedência”, revelou José Augusto. “Assim que uma edição acaba, já fazemos uma reunião para planejar a próxima”.

FOLCLORE, MÚSICA E TRADIÇÃO

O sábado (7) começou com o cortejo do tradicional Bonde Português, que saiu da Praça Mauá. A programação seguiu com apresentações de ranchos folclóricos infantis e adultos, como o Típico Madeirense e Casa do Brunhosinho.

No domingo (8), o evento continuou com grupos de canto coral, danças tradicionais e performances musicais que mesclaram o moderno ao tradicional, encerrando com a banda Alma Lusíada.

GASTRONOMIA

Nos Arcos do Valongo, a praça de alimentação ofereceu uma rica variedade de pratos típicos portugueses, como arroz de Braga, bolinho de bacalhau, sardinha na brasa, caldo verde, além dos tradicionais pastéis de nata e doces conventuais. Vinhos portugueses, chopes artesanais e refrigerantes completaram o cardápio.

Fernando Guerra, aposentado e taxista, e sua esposa Sônia Guerra, contabilista, não perdem uma edição. “Todos os anos estamos aqui. A melhor parte são definitivamente as danças e as comidas”, disse Fernando. Sônia acrescentou. “Quem não veio este ano, perdeu! Está tudo maravilhoso”.

IMPACTO SOCIAL E SOLIDARIEDADE

A festa manteve seu caráter beneficente, destinando parte da renda para os projetos sociais da Escola Portuguesa de Santos, que atende gratuitamente crianças em situação de vulnerabilidade com educação integral e formação cultural. “Estamos muito felizes com essa festa maravilhosa. Ela é fundamental para a escola, pois arrecadamos fundos para continuar o trabalho pedagógico e a assistência às famílias”, afirmou Maria Regina Franco, diretora pedagógica da Escola.

Para quem perdeu a edição deste ano, Regina deixa o convite. “Contamos com vocês no próximo ano. Venham para a festa, vocês vão gostar muito! Além de ser maravilhosa, ajudam a Escola Portuguesa”.

Com um fim de semana recheado de cultura, sabores e história, a 16ª Festa de Portugal serviu de ponto de encontro para muitos descendentes de portugueses interessados em retomar suas raízes e cidadania. Entre conversas sobre heranças culturais, gastronomia típica e papel da imigração, ficou claro que o evento não é só uma celebração — é um manifesto de identidade e pertencimento.