Metrópole

Carlos Valente fala de sua trajetória no Orla Notícias

21/06/2025 Da Redação
Reprodução

“Na vida, não existe jogo ganho.” A frase, dita com simplicidade por Carlos Valente, resume sua trajetória de mais de 40 anos dedicada à produção cultural. De pontas no cinema nacional nos anos 1970 ao comando de grandes espetáculos, Valente é figura central na cena artística da Baixada Santista — ainda que prefira os bastidores aos holofotes. Ele participou na última sexta do programa Orla Notícias, parceria entre o Jornal da Orla e a Santos FM, com a apresentadora Addriana Cutino e o jornalista Gustavo Klein.

Começou querendo ser ator, mas foi descoberto como produtor por Oswaldo de Oliveira, cineasta que o lançou nos bastidores de um set. Desde então, acumulou histórias: trouxe Maria Bethânia a Santos após quatro décadas sem se apresentar na cidade, organizou shows de Roberto Carlos, apresentou Buddy Guy no Sesc. Sempre com discrição e preservando a ética e o cuidado com a privacidade.

Ao lado do filho Sandro, que começou aos 15 anos ajudando nos bastidores de uma turnê com Costinha, Valente hoje forma uma dupla de gerações e visões. Juntos, enfrentam os desafios de manter a programação cultural viva numa região com carência de espaços adequados. “O Coliseu faz falta. Sem ele, muitos espetáculos não vêm. Alguns não cabem no Teatro Municipal e outros não combinam com o perfil do Convention Center”, explica.

Fechado há cinco anos, o Teatro Coliseu está em reta final de obras, com previsão de reabertura entre novembro e dezembro. “Obra é sempre uma caixinha de surpresas. A estrutura externa está quase pronta, mas faltam ajustes de palco e outros elementos. É um teatro que precisa de cuidados”, diz. “Mas a fila de espetáculos que querem estrear lá já está formada.”

Segundo ele, o Coliseu tem um perfil único: “É o espaço ideal para artistas como Adriana Calcanhotto, por exemplo. No Municipal, o ingresso fica caro demais. No Convention, perde-se a intimidade do espetáculo. O Coliseu é o meio- -termo perfeito.” Ele compara a estrutura com grandes casas de espetáculo do país: “Está entre os clássicos, como o Pedro II, de Ribeirão Preto, ou o Politeama de Jundiaí. Santos merece um espaço assim.”

Com depoimentos de Marília Pêra, vídeos de Paulo Autran e depoimentos de Bibi Ferreira, Valente prepara um almanaque com bastidores e memórias de quatro décadas. Enquanto isso, segue produzindo: vêm aí Danilo Gentili, Whindersson Nunes, Demônios da Garoa, além de peças com Vera Fischer, Oscar Magrini, Letícia Spiller e Marcelo Serrado. “Gosto do que faço. E um dos segredos é esse: ter paixão, foco e fazer com amor. Porque não tem como ser diferente”.