O primeiro contato que eu tive com o ambiente da comunicação foi quando visitei um estúdio de rádio da Rádio Cultura de Santos, uma emissora tradicional que funcionava em 930 AM e 106,7 FM. Hoje, a Rádio Cultura não existe mais, tendo feito parceria com a Rádio Mix de São Paulo. Esses são os tempos modernos da era digital e do século XXI; quanto a isso, não há o que questionar.
Meu pai é cabeleireiro de profissão e atendia o dono da rádio na época, Gil Mansur, hoje infelizmente falecido. Foi em 1998, eu tinha 12 anos e fui levado pelo meu pai para conhecer o estúdio e fazer uma visita a Gil. Para minha surpresa, ele me levou até o estúdio enquanto a rádio estava no ar; acho que era por volta do meio-dia. Não me lembro quem era o locutor naquela hora, senão eu mencionaria o nome dele.
Gil sabia que eu gostava de futebol e que era torcedor do Santos. Pediu então para que o locutor me fizesse uma pergunta sobre o time. Naquela época, o Santos estava se reconstruindo: tinha acabado de perder Vanderlei Luxemburgo para o Corinthians e de ser campeão do Torneio Rio-São Paulo, que hoje não existe mais, vencendo o Flamengo por 2 a 1 no Maracanã. O técnico que veio em substituição a Luxemburgo foi Emerson. Não me lembro se era fim de ano ou começo de temporada; afinal, eu tinha apenas 12 anos, hoje tenho quase 40 e a memória já não está mais tão afiada. Mas esse trecho serve como fato histórico.
O locutor me perguntou o que achava do Santos e o que o time poderia fazer na temporada. Eu falei de brincadeira: “Bom, não caindo tá bom!”. Por que, em começo de temporada, como em qualquer área da vida, não dá para fazer projeções do que vai acontecer? Mal sabia eu que aquele time de 1998 seria campeão da Copa CONMEBOL. E mal sabia Gil Mansur que me proporcionou um dos momentos mais mágicos da minha vida. Saí dali sabendo exatamente o que queria fazer de profissão: ser radialista.
Aos 16 anos, em 2002, encontrei-o perto da Rádio Cultura e pedi um emprego. Considero essa atitude um pouco camicada! Lembro-me de abaixar o volume da TV e começar a narrar o jogo como se fosse o narrador da partida. Meu pai tinha um amplificador e eu usava um microfone conectado nele. Minha mãe falava: “Menino, não faz isso, você tá louco, fica gritando!”.
Também me lembro de brincar de “carrinho de ferro” no quarto de brinquedo que tinha com meu irmão. Eu brincava de narrador, imaginando o desenho “Corrida Maluca” e fazendo narrações.
No salão do meu pai, enquanto ele cortava o cabelo de Gil Mansur, eu cheguei a dizer: “Você vai ser dono de uma emissora de TV”. Não sei se foi uma profecia ou uma visão que tive em nome dele, mas pouco tempo depois isso aconteceu. Ele é responsável pela VTV SBT, que transmite o sinal do SBT para as regiões de Campinas e da Baixada Santista.
Gil Mansur teve influência também na realização de um sonho que eu tinha e que só realizei em 2020, nas eleições municipais, quando fui candidato a vereador em Santos. Foi a partir de um conselho que ele me deu: na última vez que o vi, ele disse: “Será candidato? Você procure um partido pequeno ou de médio porte porque você vai ter mais espaço lá”. Para minha surpresa, ele tinha razão. Disputei a eleição de 2020 e obtive 53 votos para vereador, na minha terra natal, sendo que tive o privilégio de ter sido votado pela minha mãe, pouco tempo depois ela faleceu.
A comunicação só entrou de vez na minha vida quando entendi que era necessário abraçar a minha bandeira natural de defesa dos direitos sociais. Isso aconteceu em 2008, aos 22 anos, quando decidi abrir um blog chamado “Consciência Inclusiva”. Aproveitei bastante, mas o auge foi a criação do podcast com o mesmo nome, no dia 1º de julho de 2021. Já são 110 episódios até hoje; se não tivesse tanta dificuldade em encontrar convidados, teriam mais, com certeza!
Nos quase 5 anos de podcast, percebi como a abordagem foi se transformando. No começo, focava quase que exclusivamente em direitos e diagnósticos, porque era preciso criar essa base de informação que muitas famílias não tinham acesso. Mas com o tempo, os ouvintes começaram a pedir conversas sobre outros assuntos — e percebi que isso faz parte do processo real de inclusão. Hoje, quando falamos de futebol, de cultura ou de tecnologia, estamos mostrando que a pessoa com deficiência tem interesses, sonhos e opiniões sobre tudo o que acontece ao seu redor. Essa evolução nos últimos 5 anos é um sinal de que a sociedade está abrindo mais espaço, e nós precisamos acompanhar esse movimento.
O “Consciência Inclusiva” é um programa voltado para mostrar que a pessoa com deficiência tem direito a uma vida de acordo com a sua condição física. A pessoa com deficiência é o plano de fundo do programa: apesar das dificuldades do dia a dia, ela pertence à sociedade, querendo ou não. Além disso, ao abrir a câmera e o microfone, seja no notebook ou no celular, faço tudo com responsabilidade, pois não tenho direito de querer fazer com que quem me assiste pense como eu. Meu princípio é levar a informação para que cada um construa a sua própria opinião.
Quando penso naquela mãe ou pai assistindo ao programa ao vivo, me lembro que muitas vezes a falta de conhecimento gera medo e exclusão. Já conversei com famílias que achavam que seus filhos não poderiam estudar em escolas regulares ou participar de atividades comuns — e isso não é verdade. Profissionais de saúde e educação têm um papel fundamental, mas eles também precisam estar atualizados e preparados para enxergar cada pessoa como única, não como um diagnóstico. A informação que passamos precisa ser clara, prática e baseada em direitos, para que ninguém se sinta perdido ou desmotivado.
Seja no rádio, no podcast, nas redes sociais, na coluna do Jornal da Orla ou aqui no Diário PCD — em qualquer lugar, o meu comportamento é o mesmo. Tenho a mesma postura, a mesma forma de pensar e transmitir informações, pois a minha bandeira de defesa dos direitos das pessoas com deficiência não muda de acordo com o veículo que estou usando.
Há momentos na vida em que não preciso abrir a boca para falar sobre pessoa com deficiência. Meu corpo fala por mim, ele já é um tipo de depoimento sobre o que é ser pessoa com deficiência. Não gosto de falar sobre questões voltadas apenas a esse nicho porque ele é muito fechado e individualista. Se você participar de reuniões dos conselhos municipais de direitos da pessoa com deficiência, vai ver: cada pequeno grupo defende o seu próprio direito, cada um pelo seu lado, sem olhar para o todo. Nunca se olhou para o conjunto. É como se estivesse assistindo a uma propaganda eleitoral gratuita.
É verdade que há gente que não gosta de ver a pessoa com deficiência ocupando espaços públicos e de comunicação. Já enfrentei comentários como ‘por que você não fala só de coisas para vocês?’ ou ‘esse assunto não interessa para todos’. Mas a inclusão não é um tema só de um grupo — é de toda a sociedade. Quando garantimos direitos para as pessoas com deficiência, estamos fortalecendo a democracia e construindo um país melhor para todos. A pessoa com deficiência é muito maior do que a sua condição física, sim — e essa realidade precisa ser vista, ouvida e respeitada em todos os lugares.
Em 10 de maio de 2024, comecei como responsável pela coluna “A Voz da Consciência”, no Jornal da Orla em sua versão digital. Consigo falar sobre outros assuntos que não sejam pessoa com deficiência: há flexibilidade, posso abordar política, relacionamentos, comportamento ou sociedade.
Essa busca por flexibilidade nos temas da coluna ‘A Voz da Consciência’ e do próprio podcast não significa deixar de lado a luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Pelo contrário: quando falamos de política, podemos analisar como as leis afetam o nosso dia a dia — desde a acessibilidade em transportes até a participação no mercado de trabalho. Quando falamos de relacionamentos, podemos conversar sobre como construir laços saudáveis e livres de preconceito. A pessoa com deficiência está presente em todos esses espaços, então é natural que a nossa comunicação também esteja.
Eu por exemplo quando estou fazendo o consciência inclusiva estou ao vivo eu sempre imagino que tenha uma mãe de criança com deficiência me assistindo para obter conhecimento e saber que seu filho ou filha com deficiência eles podem ter uma vida até certo ponto saudável mesmo uma criança com deficiência saudável no sentido de que pode ser incluído na sociedade sendo o mesmo sendo uma pessoa com deficiência só que precisa ter todo o seu potencial humano explorado por profissionais de saúde e educação etcPor isso que eu gosto de estar na voz da Consciência no jornal da orla porque existem temas que podem que podem ser flexíveis não só falar de pcd o próprio consciência inclusive eu tô buscando essa flexibilidade também já aqui no diário pcd eu falo numa boa porque é um tema que faz parte da minha vida mesmo sem eu querer porque a pessoa com deficiência ela é maior do que segmento porque ela faz parte da sociedade por mais que tenha gente que não gosta disso tá? a pessoa com deficiência é muito maior do que a sua condição física é isso que eu quero dizer
Mas é lógico que, quando necessário, me posiciono sobre assuntos absurdos que envolvam pessoas com deficiência. Por exemplo, nas últimas sete semanas do ano passado, só falei sobre esse tema. Não gosto muito de ser pautado — a não ser que o assunto que eu leia seja muito gritante, muito absurdo. Aí eu vou refletir e repercutir. Fora isso, não gosto.
Mas o direito da pessoa com deficiência é um assunto cansativo de se falar. Você assiste as coisas acontecendo, vê uma evolução negativa com restrição de direitos, e acaba falando da mesma coisa quase sempre. Desgasta emocionalmente, cansa falar sempre o mesmo. E mesmo assim, sou cobrado para escrever sobre a falta de pautas do direito da pessoa com deficiência — cobrança que às vezes é feita de forma injusta, inclusive por pessoas próximas.
Eu leio muitas matérias sobre o mesmo assunto para construir a minha opinião. O que me chama atenção é o volume de matérias sobre algum tema específico; isso faz com que eu queira escrever sobre aquele assunto. Para construir as colunas que escrevo, estudo muito cada fato para formar uma opinião equilibrada. O mais importante é dar argumentos para que o leitor construa a sua própria opinião. O importante não é o colunista ou a apresentadora. Por exemplo, na minha opinião, um programa é bom quando o apresentador — mesmo sendo bom — entende que é coadjuvante. Porque o protagonista de uma entrevista é o convidado. Tem muita gente aí que tá confundindo as coisas, acha que o apresentador ou apresentadora é mais importante do que o fato ou o conteúdo em si. Eu sempre acreditei que a pessoa com deficiência é a maior do que a sua condição física natural ou adquirida entendeu? Só tem um detalhe, vou despertar do potencial da pessoa com deficiência, ele é feito com base no conhecimento , das características da condição física que essa pessoa tenha os profissionais de educação e saúde em princípio, porque como eu falei antes a primeira porta para a sociedade é o sistema de educação e ele não pode ficar largado a própria sorte em sala de aula, aí vamos entrar no mérito de outra conversa; como eu diria um jornalista conhecido na cidade de Santos já falecido é uma história para um outro dia, estou falando de Pinheiro Neto.



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