
Bike Polo Santos foi fundado há dez anos e já conta com uma comunidade sobre duas rodas
Em uma cidade com 58 km de malha cicloviária, a bicicleta deixou de ser um meio de transporte para se transformar em material esportivo para alguns grupos. Não é raro ver grupos de ciclismo cruzando a cidade, totalmente paramentados. Já outros preferem enxergar a bicicleta como um desafio, como é o caso do Bike Polo Santos, fundado há dez anos na cidade e que já conta com uma comunidade sobre duas rodas.
O bike polo é um esporte alternativo que envolve bicicletas e tacos. Uma modalidade diferente que conta com representantes orgulhosos e teimosos, que levam o nome de Santos pelo Brasil e para fora dele. Um dos fundadores do clube Bike Polo Santos, o empresário Leonardo Isaac Nishimoto, explica que, além de tudo, é uma modalidade inclusiva e desafiadora. “O jogo acontece em uma quadra poliesportiva, 3 contra 3, os jogadores montados em bicicleta não podem tocar os pés no chão, usando seus “mallets” devem martelar a bolinha a fim de fazer gols. O contato físico é simples, é permitido desde que haja bom senso, mas por norma, seria apenas, mallet com mallet, jogador com jogador, bicicleta com bicicleta, qualquer contato que cruze esses elementos é falta”, explica. “Não existem categorias. Seja por idade ou sexo, alguns torneios exigem que pelo menos um membro seja do sexo feminino ou se identifique como não-binário ou trans”, completa.
Nishimoto destaca que tudo começou com um grupo de ciclistas curiosos, que conheceram o esporte através da internet e buscaram o contato com o São Paulo Bike Polo, clube da capital. “Tínhamos um grupo de pedal de bicicleta fixa – bike fixa são as bicicletas de pinhão fixo, que a roda de tração não tem catraca, ou seja, se você para de pedalar, o momento continua movendo os pedais, se você pedalar para trás a bike vai para trás – são bicicletas muito ágeis para andar no trânsito. A gente era um monte de curiosos, assistíamos muito YouTube. Conhecemos o esporte e entramos em contato com o pessoal de São Paulo. Nossas bikes estavam muito longe das de polo. Mas as comunidades são muito próximas e, dessa proximidade, iniciou nossa transição”, conta.
Ele ressalta, no entanto, que a proximidade entre as comunidades acaba aí e que praticar o bike polo com uma bicicleta fixa é muito complicado. “As tribos andam juntas, mas é quase impossível jogar polo de fixa. Uma não tem nada a ver com a outra”, esclarece.
Teimosia
Com o grupo formado, o Bike Polo Santos precisava de um lugar para treinar. Daí entra a teimosia de não desistir de um projeto. Os praticantes já rodaram diversas quadras da cidade, oficiais e improvisadas, para manter vivo o esporte. Desde o Emissário Submarino ao estacionamento do antigo supermercado Extra, das quadras do Sambódromo, do Rebouças, da ABOR, e nas quadras das paróquias de São Jorge e Jesus Crucificado. Sempre com muita paixão, mas também enfrentando dificuldades, como a falta de visibilidade, apoio e estrutura adequada para treinar e crescer.
“Nosso grande desafio tem sido uma quadra para a prática regular do esporte. Sempre somos deixados de lado, por nosso número reduzido de praticantes, contra outros esportes mais populares. Conseguimos juntar muita gente para assistir, no entanto, poucos se arriscam a experimentar o esporte. Existe muito medo, visualmente parece exigir muito equilíbrio, pois não se pode tocar o chão. Apesar do mallet, do taco, servir de bengala, de apoio.”, explica Leonardo Isaac. “No momento, estamos aguardando a reforma do Complexo Esportivo do Rebouças, e o nosso clube, o “Bike Polo Santos” não treina regularmente. Usamos quadras públicas, até a galera do futebol ou basquete nos remover. Qualquer quadra cimentada, com limites murados, serve para nossa prática. Não precisamos de muito para jogar, temos poucos números, mas muita vontade”, conclui.

A Bicicleta
A substituta das pernas no esporte é de suma importância, mas Isaac ressalta que para praticar o bike polo só é preciso uma bicicleta e vontade. “Tem algumas regras para campeonatos por segurança, para evitar acidentes. Mas, no geral, um iniciante só precisa ter uma bicicleta”, afirma. “Em torneios, é exigido que a bicicleta tenha aro 26 ou 700, não pode ter marchas, nem acionador de freio no guidão da mão dominante. As bicicletas específicas para o Bike Polo normalmente possuem uma distância entre os eixos das rodas reduzida (para curvas mais fechadas), freios dianteiros bons (normalmente a disco) e a razão entre os tamanhos de coroa e pinhão, reduzida, ou seja, se fosse uma bicicleta de marchas, como se ela estivesse sempre configurada para subir ladeiras, em outras palavras: coroa pequena, pinhão grande. Isso confere uma aceleração rápida, desprezando uma grande velocidade final”, explica.
Desta forma, quem se interessar e quiser praticar o bike polo, pode encontrar o Bike Polo Santos nas redes sociais pelo @bikepolosantos.


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