Política

Os bastidores da intervenção no transporte coletivo de Guarujá

05/04/2025 Marco Santana
Divulgação/PMG

Partiu diretamente do prefeito Farid Madi (Podemos) a decisão de decretar a intervenção na City, empresa que opera o transporte coletivo em Guarujá.

Em conversas que reuniam os secretários Antônio Addis Filho (Coordenação Governamental), Rodrigo Sales Carneiro (Mobilidade Urbana) e Marco Antônio Couto Perez (Defesa e Convivência Social), cogitou-se uma série de medidas, desde a continuidade das ações administrativas (pedidos de informações, advertências e multas) até a rescisão imediata do contrato.

Nas conversas, Farid reclamava dos valores em si cobrados pela City, além de serem dívidas que “não eram dele”, ou seja, faturas do subsídio relativas à gestão anterior, de Valter Suman.

Segundo ele, a Prefeitura pagou mais de R$ 84 milhões em 2024 e a empresa cobra mais R$ 47 milhões.
O prefeito optou por decretar a intervenção por 90 dias para, nas suas palavras, “abrir a caixa preta” da City. Chamou o coronel Renato Fincatti, conhecido por seu estilo linha-dura, e o convidou para a nova missão, ainda na sexta-feira (28). Inicialmente surpreso, Fincatti aceitou e começou a trabalhar como interventor.

Em nota oficial para justificar a medida, Farid disse que enviou “dezenas de ofícios” pedindo informações, mas as respostas vinham com “inconsistências e contradições”.

O prefeito gravou vídeo na garagem da empresa, explicando as razões da medida. “Não vou admitir que o dinheiro público, que pode e deve ser utilizado para melhorar nossa cidade, seja gasto sem clareza, sem justificativas documentais”.

Troca de empresa?

Na Câmara, vereadores especulam, sem provas, que, na verdade, o prefeito busca “colocar outra empresa”.

Sob condição de anonimato, um vereador avalia que o prefeito Farid está correto em buscar a melhor qualidade possível no transporte coletivo, mesmo que para isso seja necessária a rescisão com a City e a contratação de outra empresa.

Porém, ele alerta que o prefeito deve ficar atento às investidas do crime organizado, que buscam usar empresas de fachada para promover a lavagem do dinheiro de suas atividades ilícitas.

Desproporcional e ilegal

Principal executivo da City em Guarujá, Marcelo Pepe tem negado pedidos de entrevista e determinou que a empresa só se manifeste por meio de notas oficiais.

Quem consegue conversar com ele sobre o assunto ouve que Pepe ficou surpreso com a intervenção, pois questionamentos são comuns em um contrato complexo como o de Guarujá, mas alguns não fariam sentido. “Existe lugar de Guarujá que nenhum GPS pega”, exemplificou, a um interlocutor.

Pepe tem dito que “sempre teve” boa relação com Farid, tanto que, apesar de ter sido adversário no primeiro turno, na eleição do ano passado, foi um dos primeiros a anunciar apoio no segundo turno.

Em nota, a City afirma que a intervenção é “absolutamente desproporcional e ilegal” e busca a abertura de um processo administrativo. Mas a empresa deixa claro que o caso pode parar na Justiça, caso não chegue a um denominador comum com o prefeito Farid Madi.