Esportes

Basquete brasileiro perde um de seus grandes heróis

24/03/2026 Eduardo Silva
Divulgação / CBB

Nos anos 1960 e 1970 o basquete era o segundo esporte do Brasil. Só perdia, em popularidade, para o futebol, e mesmo assim, os jogadores eram famosos e lotavam os ginásios onde se apresentavam. A Seleção Brasileira foi bicampeã mundial (1959 e 1963) com uma geração fantástica de Wlamir Marques, Amaury Pasos, Pecente, Rosa Branca, Algodão, Jatyr e Angelin, entre outro craques. Na esteira do sucesso desses craques surgiram jovens que despontaram com seu talento e suas vastas cabeleiras. Entre eles, estava Marcos Antonio Abdalla Leite, um pivô que veio para fazer história. O carioca foi um jogador extraordinário e que abriu portas para muitos atletas no Brasil e no exterior. Foi para o basquete universitário dos Estados Unidos, em 1974, e dois anos depois foi o primeiro jogador brasileiro “draftado” pela NBA, pelo Portland Trail Blazers. Ainda atuou na Itália no Virtus, de Bolonha e em Genova.

No Brasil, começou no Fluminense e também defendeu Bradesco e Flamengo, mas seu auge foi no Esporte Clube Sírio, ao lado de Oscar Schmidt, Marcel, Dódi, Saiani, Eduardo Agra, entre outros ídolos, que foram comandados pelo saudoso técnico Cláudio Mortari. Aquele timaço do Sírio foi campeão mundial de clubes em 1979, numa final emocionante contra o Bosna Saravejo. Vitória brasileira por 100 a 98, num Ibirapuera lotado. Marquinhos foi um dos destaques com 22 pontos. Marquinhos foi um dos grandes nomes da Seleção Brasileira se destacando em 3 títulos sul-americanos (1971, 1973 e 1983) e um Pan-americano (1971). Participou de 3 Olimpíadas, 1972 (Munique), 1980 (Moscou) e 1984 (Los Angeles). E ainda estava na equipe vice-campeã mundial (1970). Sua atuação dentro do “garrafão” (área decisiva das quadras de basquete) era impressionante. Dominava quase todos os rebotes de ataque ou defesa e era decisivo em jogos importantes.

Para quem viveu essa época, Marquinhos foi muito mais que um jogador de basquete, foi um símbolo de uma geração que brilhava em competições pelo mundo e que levava a modalidade a lotar ginásios pelo Brasil inteiro. O carioca simpático, que viveu boa parte da vida em São Paulo era visto muitas vezes no Guarujá, onde aproveitava os finais de semana. Bom papo, amigo sincero e leal, Marquinhos está no patamar dos maiores atletas brasileiros em todos os tempos.