Cena

Banda de Cubatão busca apoio para participar de mundial na Alemanha

18/05/2026 Isabela Marangoni
Banda Musical Padre José de Anchieta/Divulgação

Prestes a atravessar o oceano para representar o Brasil na Europa, a Banda Musical Padre José de Anchieta, de Cubatão, vive um dos momentos mais importantes de sua trajetória. Formado por crianças e adolescentes da rede pública, o grupo foi convidado para disputar o Concurso Europeu de Música, dentro do 69º Festival de Música de Rastede, na Alemanha, após conquistar o título de campeã nacional em 2025. Agora, mobiliza a cidade em busca de apoio financeiro para viabilizar a viagem.

O festival acontece entre os dias 2 e 5 de julho e é considerado um dos maiores e mais tradicionais eventos de bandas musicais da Europa. A cada edição, reúne cerca de 65 corporações musicais de até 10 países, somando aproximadamente 2.500 músicos.

Segundo o maestro Luis Carlos Araujo, o convite surgiu após a série de conquistas da banda nos campeonatos realizados no último ano. “A banda foi campeã nacional e, por isso, o Brasil tem direito de indicar uma representante para esse concurso internacional. Foi assim que recebemos o convite”, explica.

O convite oficial partiu do presidente do “Rasteder Musiktage e.V.”, entidade organizadora do festival alemão. Para participar do Concurso Europeu de Música, as bandas precisam atender a critérios técnicos e artísticos específicos — exigências que a corporação cubatense preencheu.

Para o maestro, a participação no evento ultrapassa a conquista musical. “Não é importante somente para a banda, mas para a cidade de Cubatão. Uma cidade que já foi taxada como a mais poluída do mundo hoje terá representatividade em um concurso internacional, representando a Baixada Santista, o Estado de São Paulo e o próprio Brasil”, afirma.

Ele também destaca o impacto social do projeto na vida dos integrantes. “São crianças e adolescentes de escolas públicas, muitos moradores de comunidades e áreas de vulnerabilidade. Isso vai ficar marcado não só na vida deles, mas também na história da cidade”.

Série de conquistas
A Banda Musical Padre José de Anchieta vive uma fase histórica. Em 2025, participou de sete concursos e conquistou o primeiro lugar em todos eles, incluindo campeonatos estaduais e nacionais realizados em cidades como Santos, Santa Isabel, Guararema e Caieiras.

No encerramento da temporada, veio o principal reconhecimento: os títulos de campeã nacional na categoria banda musical e campeã nacional na categoria pavilhão nacional, durante o Concurso Nacional da CNBF, realizado em Macaé, no Rio de Janeiro.

Cubatão mantém tradição no universo das bandas e fanfarras desde as décadas de 1970 e 1980. Segundo Luis Carlos, existe inclusive um projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa para reconhecer o município como “Capital das Bandas”.

Apesar da conquista internacional, a banda ainda enfrenta dificuldades para arrecadar os recursos necessários para a viagem. “Temos um polo petroquímico muito grande aqui, mas ainda não conseguimos apoio suficiente”, lamenta o maestro.

As competições começam no dia 1º de julho e reúnem 56 bandas de 18 países. “É como uma Copa do Mundo. Existem classificatórias até chegar à grande final”, compara.

Para a apresentação internacional, o grupo prepara um repertório que mistura música popular e clássica. Entre as obras escolhidas estão “O Bêbado e a Equilibrista”, eternizada na voz de Elis Regina, composições de James Werg, sucessos de Queen, ABBA e clássicos associados a Frank Sinatra. “Nós queremos representar o Brasil sendo o Brasil”, resume o maestro. “E esperamos não tomar de 7 a 1 da Alemanha”, brinca.

Atualmente, a banda conta com 87 músicos, com idades entre 10 e 17 anos. Muitos deles nunca haviam tido contato com instrumentos musicais antes de ingressarem no projeto. “São crianças muito talentosas. Mesmo com celular, internet e tantas distrações, eles têm comprometimento e disciplina. Para mim, essa é uma das melhores gerações que já passaram pela banda”.

Luis Carlos também destaca os reflexos da música na formação dos jovens. “A música traz disciplina, concentração e sensibilidade. Temos um aluno que foi o primeiro colocado nas provas da ETEC e da Federal. A música ajuda muito nesse desenvolvimento”.

Enquanto intensifica os ensaios para o mundial, a banda promove rifas e campanhas para arrecadar recursos, principalmente para a emissão dos passaportes dos integrantes. “Já conseguimos tirar metade dos passaportes. Agora nosso foco é concluir os documentos dos 87 músicos”, explica. As doações e informações sobre rifas podem ser acessadas pelo site da entidade.