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Bancos do jardim da praia de Santos contam a história do surfe

03/12/2021
Divulgação/Prefeitura de Santos

Entalhes nos encostos mostram evolução das pranchas

A história do surfe em Santos, cidade pioneira nesse esporte no Brasil, ganhou mais um capítulo na quinta-feira (2/12). Os oito bancos que circundam o Monumento ao Surfista, nos jardins da Praia da Pompeia, ganharam encosto com três entalhes cada, mostrando a evolução das pranchas no país.

As peças foram instaladas pela Seserp (Secretaria de Serviços Públicos), sob os olhares atentos de Ronaldo ‘Gui’ Mesquita, o primeiro surfista santista a viajar para o Havaí, e Cisco Araña, primeiro surfista profissional de São Paulo – ele também é o idealizador da Escola de Surf, pioneira em território nacional, e da unidade voltada a pessoas com deficiência.

A ideia partiu do secretário Wagner Ramos, titular da Seserp, responsável pelo modelo, depois ampliada por sugestões de um grupo de surfistas. Também acompanhou a instalação das peças Flávio Pereira Morgado, coordenador técnico da Subprefeitura da Zona da Orla e Intermediária (Sup-ZOI). Cisco diz que os entalhes nos bancos consolidam uma história de pioneirismos e união da comunidade dos surfistas. “A própria disposição dos bancos, no entorno da fonte onde está o monumento, já mostra essa união pelo esporte”, frisou, acrescentando que, “sem respeitar a história do surfe, não há futuro”.

Ambos sonham em transformar em ponto turístico essa área, que engloba ainda o Monumento ao Surfista Osmar Gonçalves e a Escola de Surf.

Os encostos foram confeccionados pela Marcenaria do Deserp (Departamento de Serviços Públicos), responsável também pelos entalhes, em um trabalho que se estendeu por duas semanas.

História
O primeiro banco à direita do monumento, próximo à Escola de Surf, ganhou encosto com entalhes das pranchas utilizadas nos anos 1930, denominada tábua havaiana, com mais de três metros de comprimento – o esporte foi praticado em 1934 em Santos, pela primeira vez no País, pioneirismo de Thomas Rittscher Jr. Já o encosto do segundo banco, em direção à Avenida Presidente Wilson, retrata as pranchas do início dos anos 1960, confeccionadas em madeirite, chapa de compensado usada em obras. “Nos anos 40 e 50, não houve grande evolução”, comentou Gui, referindo-se ao hiato de 30 anos.

O modelo das pranchas ocas, de madeira, comum em 1964 e 1965, ilustra o encosto do terceiro banco. “Revestida com uma lâmina fina de madeira, ela possuía cavernas. Era ótima para fazer musculação, porque a gente entrava no mar com uma prancha de 30 quilos e saía com uma de 80, de tanta água que entrava”, conta ele, divertindo-se com a lembrança do trabalho de esvaziar o pranchão a cada chegada à areia.

O quarto banco, o último do lado direito do Monumento ao Surfista, registra o início da fabricação das pranchas em território nacional, em 1967, agora em fibra de vidro, mas ainda com 3m de comprimento.

Já o quinto banco – o primeiro do lado esquerdo do monumento, próximo à ciclovia -, destaca os anos 1970 e 1971, quando começaram a surgir as pranchas ‘short’, com 2,10m. “Muitos perguntavam se eram para esquiar”, prosseguiu Gui, dizendo que elas, em fibra de vidro e poliuretano, eram muito mais rápidas.

O banco seguinte mostra o modelo ‘stinger’, moda em 1974 e 1975, de formato semelhante ao de um foguete, enquanto o sétimo banco – o terceiro do lado esquerdo, em direção à praia – retrata outra preferência: ‘fish’, prancha mais estreita e de comprimento variando entre 1,80m e 1,90m. A prancha ‘round’ foi utilizada para os entalhes do último banco, mostrando o modelo dos atuais profissionais do surfe, os campeões mundiais Gabriel Medina e Ítalo Ferreira.