Economia

Baixada Santista tem crescimento de 62,8% de empregos no setor

07/01/2026 Da Redação
Baixada Santista tem crescimento de 62,8% de empregos no setor | Jornal da Orla

O setor supermercadista paulista acelera a abertura de lojas e a geração de empregos, mas ainda vive uma contradição. Na Baixada Santista, a questão é a mesma que se repete em todo o Estado: cresce o número de contratações, mas as vagas continuam sobrando. Dados da Associação Paulista de Supermercados (Apas) mostram que a região gerou 1.013 novos postos de trabalho em 2025, entre janeiro e setembro, mas ainda convive com uma demanda em aberto de 1.708 vagas: um sinal de que o ritmo de expansão segue acima da capacidade de preenchimento.
O desempenho regional chama atenção. No comparativo com o mesmo período do ano anterior, o crescimento do emprego supermercadista na Baixada Santista foi de 62,8%, índice superior à média estadual e o oitavo melhor resultado entre as 16 regionais e distritais da APAS. Para o setor, os números reforçam o papel estratégico dos supermercados na economia local, especialmente em um cenário de retomada do consumo e de ampliação da rede varejista.
“Tivemos um crescimento de empregos na Baixada Santista de 62,8% no comparativo entre janeiro e setembro, acima da média estadual no período e o 8º melhor desempenho entre as 16 regionais/distritais da APAS. Seguimos firmes com o propósito de fortalecer o setor supermercadista na nossa região, que desempenha um papel estratégico na economia ao colaborar com a empregabilidade e o consumo”, afirmou o diretor regional da APAS, Antonio Carlos Rodrigues Filho.
O movimento regional acompanha uma tendência mais ampla observada em São Paulo. Levantamento da APAS aponta que, nos primeiros nove meses de 2025, mais de 2.800 novos estabelecimentos foram inaugurados no Estado, resultando na criação de 18.870 postos de trabalho, um volume cerca de 41% superior ao registrado no mesmo período de 2024. Ainda assim, mais de 36 mil vagas seguem abertas.
Segundo o presidente da APAS, Erlon Ortega, o setor vive uma fase de expansão contínua, mas enfrenta obstáculos na contratação e retenção de profissionais. “Por isso, a entidade tem atuado no apoio a iniciativas de formação, na ampliação de parcerias e no fortalecimento de programas que conectam trabalhadores às oportunidades no varejo alimentar”, afirmou.

PERFIL
O perfil das contratações revela uma recomposição geracional no mercado de trabalho supermercadista. Jovens entre 18 e 24 anos responderam por 34% das admissões, enquanto profissionais de 50 a 64 anos representaram 24%, indicando um esforço do setor para equilibrar experiência e renovação da força de trabalho.
Quando se observa a natureza das vagas em aberto, a escassez é mais evidente nas funções essenciais ao funcionamento das lojas. O cargo de operador de caixa concentra 22% da demanda, seguido por repositor (17%), açougueiro (13%) e operador de frios e laticínios (12%). São postos diretamente ligados ao atendimento ao consumidor e ao abastecimento das gôndolas, áreas sensíveis em um setor que opera com margens estreitas e alta rotatividade.
Para o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, o desequilíbrio entre oferta e demanda de mão de obra é reflexo direto do ciclo de investimentos. “Mesmo com a abertura líquida de mais de 18.800 mil postos de trabalho, o volume ainda não foi suficiente para atender à necessidade de mão de obra do setor”, avaliou.

QUALIFICAÇÃO
Diante desse cenário, iniciativas de qualificação têm ganhado peso. Em 2025, a Escola APAS alcançou mais de 19 mil colaboradores com cursos e treinamentos, com destaque para formações práticas como “Açougueiro de Valor”, “Mestre Fatiador”, “MM Capacita” e “ConeXpão”, desenvolvidas em parceria com empresas do setor. Além disso, os Feirões de Emprego e a adesão ao Pacto pela Inclusão Produtiva buscam aproximar candidatos e empregadores, com apoio da plataforma Trampolim, lançada em julho pelo governo do Estado.