
Um estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), com base em dados do CNPJ da Receita Federal, mostrou que a região administrativa de Santos registrou a abertura de 16.242 empresas entre abril de 2024 e março de 2025. O número de Microempreendedores Individuais (MEIs) também aumentou. Na região, foram registrados 45.181 novos MEIs no mesmo período de 12 meses, o que coloca a região entre as quatro principais do estado, ficando atrás apenas da Região Metropolitana de São Paulo, com 417.124 empresas, e das regiões de São José dos Campos (47.039) e Sorocaba (46.832).
Para o pesquisador da área de economia da Fundação Seade, Renato Gazola, a abertura de novas empresas na região de Santos apoia-se sobretudo na formalização de MEIs. “O comércio lidera o ranking com 28,6%, englobando desde lojas de atacado e varejo em geral até oficinas mecânicas, autopeças e serviços de manutenção de veículos”, explica Gazola.
Na sequência aparecem as atividades administrativas e serviços complementares (9,4%), que incluem desde aluguel não-imobiliário até agências de viagens, e o setor de alojamento e alimentação (9,3%), abrangendo hotéis, pousadas, restaurantes e bares.
POLÍTICAS PÚBLICAS
A Prefeitura de Santos atribuiu os bons números a um conjunto de iniciativas distintas ao fortalecimento do ambiente de negócios na cidade. Entre as principais medidas estão a desburocratização dos processos de abertura de empresas, a ampliação do atendimento através da Sala do Empreendedor (Sempre) e da unidade do Sebrae Aqui, além de programas de capacitação e acesso ao crédito.
Segundo o órgão, o destaque é o programa “Feito em Santos”, criado em 2020 durante a pandemia como política de economia criativa. A iniciativa já realizou mais de 150 feiras, impactou mais de 6 mil empreendedores e movimentou cerca de R$ 4 milhões na economia local, beneficiando diretamente 980 empreendedores e oferecendo 10 mil vagas de capacitação.
FUTURO
A administração municipal planeja expandir as ações de apoio aos MEIs nos próximos meses, com novas parcerias para qualificação profissional, ampliação de workshops e mentorias, além de eventos esportivos à formalização e inovação.
Entre as iniciativas municipais que trazem para esse cenário estão o Invest Centro, o Happy Centro e leis de incentivo como a do Santos Criativa, que oferecem benefícios para a prestação de serviços na cidade. A meta, segundo a prefeitura, é continuar fomentando a geração de renda e emprego, com atenção especial aos bairros e públicos que mais se reúnem de apoio técnico e institucional.
CENÁRIO ESTADUAL
Em março deste ano, no Estado de São Paulo foram criadas 35.151, segundo o levantamento da Fundação Seade, com base nos dados do CNPJ, da Receita Federal. Na comparação com o mês imediatamente anterior, houve retração de 13,3%, quando o total de empreendimentos alcançou 40.521 novos negócios.
Todos os setores tiveram recuo no período: serviços (-14,6%), indústria (-13,9%), construção (-13,1%), comércio (-8,2%) e agropecuária (-6,5%). No acumulado de 12 meses, porém, o estado registrou 516.767 novas empresas, com o setor de serviços liderando com 358.548 empreendimentos (69,4% do total).
REGIÕES ADMINISTRATIVAS
As regiões administrativas paulistas, conforme a Fundação Seade, são subdivisões territoriais criadas para facilitar a análise de dados estatísticos e socioeconômicos. Elas agrupam municípios, abrangendo uma área geográfica específica e com características semelhantes e servem como ferramentas para a análise de dados e a gestão de políticas públicas. Permitem comparar indicadores entre diferentes áreas do estado, identificar tendências e necessidades específicas de cada região. O Estado de São Paulo é subdividido em 14 regiões administrativas. Cada região é composta por um conjunto de municípios que possuem alguma característica em comum, como proximidade geográfica, características socioeconómicas ou infraestrutura. No caso da região administrativa de Santos, são consideradas as nove cidades, que compões a Baixada Santista.


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