
A região se prepara para o próximo ano com expectativas de crescimento em diversos setores da economia regional. Porto, indústria, comércio e mercado imobiliário apontam para um cenário de investimentos, geração de empregos e expansão de atividades.
Entre obras estruturantes, modernização industrial, adaptação do varejo às novas demandas dos consumidores e lançamentos imobiliários, a Baixada Santista se posiciona para aproveitar oportunidades e enfrentar desafios que marcam o cenário econômico.
Para o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, o Porto deve manter, no ano que vem, o crescimento médio em torno de 7%, patamar que vem sendo sustentado nos últimos cinco anos.
“Embora exista uma projeção de leve retração da safra brasileira, estimada em cerca de 3% pelo IBGE, a economia tende a seguir aquecida, o que ajuda a equilibrar o fluxo de cargas. Além disso, os terminais — tanto de granéis quanto de contêineres — seguem investindo em ampliação de capacidade, garantindo oferta e eficiência ao mercado”, afirma Pomini.
No segundo semestre, a APS deve entregar obras estratégicas, como a Perimetral da Margem Direita e o aumento da capacidade ferroviária, com destaque para a nova pera de manobras. “Esses investimentos são fundamentais para manter a competitividade do porto e melhorar a fluidez logística. Importante destacar as obras que estarão em andamento ou em fase inicial em 2026 — como a ampliação da poligonal, o aprofundamento do canal para 16 e posteriormente 17 metros, a implantação do VTMIS, do gêmeo digital, do parque tecnológico, dos novos acessos viários e do túnel Santos–Guarujá”, explica.
INDÚSTRIA
Cubatão deverá vivenciar um ciclo de expansão, modernização e reposicionamento de sua base industrial em 2026, com destaque para setores alinhados às agendas de transição energética, inovação tecnológica e aumento de competitividade. É o que aponta o secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes.
“Um dos principais projetos previstos é o início da implantação da planta de BioQAV da Petrobras. Ele é um combustível produzido a partir de fontes renováveis, como biomassa, resíduos e óleos vegetais, com potencial significativo de redução das emissões de gases de efeito estufa quando comparado ao combustível fóssil tradicional”, detalha.
O secretário também ressalta sobre a importante retomada dos investimentos da Usiminas, voltados à preparação da planta industrial para um novo ciclo de aportes, modernização de processos produtivos e aumento da eficiência operacional.
“Esses e outros projetos reforçam o papel histórico de Cubatão como polo industrial de base e, ao mesmo tempo, apontam para uma indústria mais moderna, sustentável e integrada às cadeias globais de valor”.
COMÉRCIO
Para 2026, as expectativas de faturamento do comércio na região apontam para crescimento moderado, alinhadas às projeções nacionais de expansão das vendas no varejo e no e-commerce. O presidente do Sincomércio BS-VR, Omar Abdul Assaf, explica que, embora o ritmo de crescimento de 2025 tenha apresentado contenção, com projeções gerais de avanço mais modesto, a expectativa contempla que o comércio local registre avanço gradual, sustentado pelas datas sazonais, pelo turismo e pela adaptação às novas demandas dos consumidores.
“Os segmentos que tendem a liderar o crescimento são aqueles ligados ao varejo de moda, cuidados pessoais e saúde, além de categorias que vêm se consolidando no digital. Já setores mais dependentes de crédito e bens duráveis — como móveis, eletrodomésticos e produtos de maior valor agregado — podem enfrentar desafios maiores, especialmente em um cenário de juros mais altos e restrições de consumo”, diz Omar.
MERCADO IMOBILIÁRIO
Para o diretor-regional do
Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis (Secovi), Carlos Meschini, este ano o setor apresentou um desempenho positivo para o mercado imobiliário da Baixada Santista. “O movimento de absorção do estoque cria bases sólidas para 2026. Temos a previsão de diversos lançamentos voltados a diferentes perfis de público, que vão desde empreendimentos de alto e altíssimo padrão até projetos enquadrados em programas habitacionais”.
A opinião do presidente do CRECI-SP, José Augusto Viana, é parecida. Para ele, a valorização imobiliária na região continua firme. “Santos, por exemplo, não apresenta mais espaço para crescimento, e o número de novos empreendimentos tende a diminuir, porque não há mais para onde expandir. Portanto, os imóveis que existem passam a ter um valor mais expressivo”, afirma Vianna.


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