Esportes

“Aqui tem muita história”, personalidades exaltam a mais briosa, a Portuguesa Santista

07/06/2025 Matheus Vieira
Fernanda Luz/Ag. Paulistão

No coração da cidade é onde reside um clube de tradição, história e carinho popular: A Associação Atlética Portuguesa, popular Portuguesa Santista ou, para os mais íntimos, a Briosa. Do alto dos seus 107 anos, o clube do Ulrico Mursa já foi a casa de craques que atuaram dentro e fora de campo, ajudando a construir a história do futebol santista, paulista e brasileiro e representa um pedaço de Portugal em nossa cidade.

Um nome querido e conhecido pelos torcedores da Rubro-Verde, o radialista e locutor oficial do estádio, Walter Dias, compartilha com o clube uma amizade duradoura. Aos 89 anos, Walter acompanha a Briosa, de maneira profissional, desde 1953. “Eu trabalhava na Rádio Clube de Santos. Naquele tempo, irradiávamos os jogos dos Santos, mas também dávamos atenção aos jogos da Portuguesa”, conta. “Tenho muito carinho pela Portuguesa. Eu conheci minha esposa aqui, através de um jogador, o Clóvis. Meu casamento foi aqui e meus dois padrinhos de igreja eram dirigentes da Briosa. Assim, criei essa amizade”.

Foi em 1996 que o Sr. Walter se tornou a voz oficial do Ulrico Mursa, consequentemente, da Briosa. “Neste ano, o presidente me chamou e disse que precisava colocar som no estádio. Não tinha e, se tinha, era muito precário. Então, O presidente da época me pediu ajuda para montar o som do estádio e eu estou aqui até hoje. Comecei no precário, as coisas foram melhorando e hoje, modéstia à parte, acredito que temos o melhor som dentre os clubes intermediários”. Mas antes disso, ele já tinha presenciado um dos maiores orgulhos da Portuguesa: a conquista da fita azul, em 1959.

A Briosa viajou à África do Sul para uma excursão de 15 jogos e venceu todos, a campanha mais vitoriosa da história da premiação. A viagem ficou marcada também pelo posicionamento antirracista do clube, já que, na época, ainda estava vigente o apartheid e a delegação se recusou a entrar em campo quando seus jogadores negros foram barrados. E Walter Dias estava presente no retorno do time. “É uma das minhas grandes emoções com a Portuguesa. Na ocasião, eu estava na Rádio Clube. Eu e uns amigos organizamos a recepção da Briosa, eu fui até o Rio de Janeiro receber a delegação no Porto, fiz a cobertura para a rádio e voltei de navio para Santos. Foi uma coisa linda, o time deu a volta na cidade, fez uma festa muito bonita. Não é porque a Portuguesa é um clube pequeno que não tem história, pelo contrário, tem muita história”, afirma o jornalista.

E, de fato, histórias não faltam à Briosa. Grandes nomes já vestiram as cores rubro-verdes e defenderam o escudo da Portuguesa, como Serginho Chulapa, o ‘Canhão da Vila’, Pepe Macia (treinador), Sérgio Guedes e Souza. Personagens que também fazem parte da história daquele que, talvez, tenha ocupado mais cargos no clube em toda história, o atual presidente do Conselho Deliberativo, José Ciaglia.

Com 85 anos e mais de 50 dedicados à Portuguesa, ele assume que o clube não seria nada sem o esforço dos envolvidos. “A Portuguesa é um clube modesto e depende muito do esforço, do sacrifício daqueles que participam. Todos esses mais de 100 anos de vida são graças ao sacrifício daqueles que passaram por aqui, desde a minha época até agora”, afirma.

Sem uma gota de Portugal no sangue, Ciaglia faz aniversário justamente no dia em que são prestadas homenagens ao país: 10 de junho. Ele foi convidado pelo presidente José Augusto Alves para integrar a diretoria do clube. “Falei para ele que eu não tinha nada de português e ele me mandou passar um tempo em Portugal. Fui e fiquei encantado com o país. Quando voltei, disse: pode contar comigo”. Daí para frente, ele ocupou diversos cargos e chegou até a presidência.

Mas foi como dirigente do futebol profissional que ele considera que viveu suas melhores histórias. “Considero que esse período foi o melhor do futebol profissional da Portuguesa. Consegui trazer o Pepe para treinar o clube, depois foi o Sérgio Guedes. Eu fiz o primeiro contrato do Sérgio para a parte técnica. Ele foi contratado para ser goleiro, mas estava machucado. Me procurou e disse que gostaria de ajudar o time mesmo sem jogar, coloquei ele para ser auxiliar técnico. Foi uma época excelente para o clube”, conta.

 

FUTURO INCERTO

Apesar das glórias do passado, a fundadora da Federação Paulista de Futebol, hoje, passa por um momento delicado. O rebaixamento no campeonato paulista e o bloqueio do dinheiro que receberia por participar da Copa do Brasil são reflexo de problemas financeiros e estruturais que já maltratam a Briosa há anos. A esperança está depositada nas eleições que acontecem no domingo (11).

“O momento é muito difícil”, diz Ciaglia. “A eleição já está marcada e tudo depende do que vai acontecer lá, não tem como prever o que vai acontecer. Eu acredito que tudo que se falar neste instante é precipitado. Eu tenho meu pensamento particular de que, hoje, a salvação do futebol brasileiro é a SAF. Mas tudo depende da nova diretoria, de quem vai assumir”, diz o presidente do Conselho Deliberativo.

Apesar dos problemas, José Ciaglia destaca a fidelidade da torcida. “É uma torcida fiel. Em todo esse tempo, nunca tive um problema muito grande com eles. Estão sempre aqui, com a gente, dentro das possibilidades”.