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Alexandre Sartorato, o Homem de Aço que correu em volta do mundo pela segunda vez

19/07/2025 Matheus Vieira
Alexandre Sartorato, o Homem de Aço que correu em volta do mundo pela segunda vez | Jornal da Orla

A primeira expedição dessa dimensão foi realizada pelo atleta em 2007, levando a cidade de Cubatão e promovendo a caridade

Em tempos de Super-Homem nas telonas de todo o Mundo, um Super-Atleta da vida real tornou o impossível, possível mais uma vez. Diferente do Homem de Aço kryptoniano, Alexandre Sartorato é terráqueo e levou o brasão de Cubatão no peito e a bandeira do Brasil como capa ao realizar a sua segunda volta ao mundo correndo.

O ultramaratonista percorreu 27 países, correndo o uma ultramaratona por dia (mais de 42km), com trechos de corrida que duraram de 12 a 18 horas, durante 102 dias. A sua jornada começou no dia 31 de março e foi concluída no último sábado (12). “Acredito que com mais este Desafio, reafirmo minha condição de um dos homens mais resistentes da História”, afirma o atleta. “A maioria das pessoas não tem ideia de como é difícil sair de um avião após inúmeras horas de voo e imediatamente retomar uma ultramaratona. O corpo incha, formiga. É uma sensação péssima”, conta.

Para a conclusão do desafio foram usados 60 pares de meias, 8 calças de lycra e 26 pares de tênis.

Além das bolhas, assaduras, lesões musculares e até mesmo descolamento das unhas do pé, Alexandre atravessou países como Egito, Grécia, Macedônia e Sérvia, que passam por momentos de conflito, sejam internos ou externos, mas isso não abalou o corredor. “Independentemente do lugar onde corro, tento ficar totalmente focado. Rodovia é algo muito perigoso. A concentração deve ser total o tempo todo. Isso também acaba gerando muito desgaste físico e psicológico, pois entendo que ambos estão correlacionados.”, diz.

Ele também passou por Kosovo e Montenegro, onde é proibido correr nas rodovias. “É proibido correr por autoestradas na maioria dos países da Europa, e eu fiz esse trecho por um caminho muito difícil em todos os aspectos. Fiquei quase dez horas sem comida e hidratação no meio de penhascos. Até optei por descer pela beirada de um pequeno rio, me agarrando em raízes. O caminho é tão complicado que estamos estudando um jeito de colocar um cinegrafista lá para gravar cenas para o filme sobre a minha vida”, finaliza.

Outro grande desafio na sua jornada, foi a variação de temperatura, que saíram de quase 40ºC no Egito para -10ºC nos Alpes Suíços. Além disso, o desafio exigiu dele adaptação a diferentes fusos horários, culturas, alimentações e rotinas.

Mesmo com todos os problemas, o corredor guarda as paisagens e a sensação de dever cumprido. “Todos os lugares são lindos — cada um tem uma beleza singular. Se tenho obrigatoriedade de escolher, fico com as Pirâmides, mas reforço que amo todos os lugares. O mundo é feito de paisagens incríveis e pessoas maravilhosas”, afirma. O atleta distribuiu mais de 100 camisetas por dia. “Cada camiseta teve um significado. Representava uma pessoa, uma entidade, um lugar. Cada dia teve uma história diferente. Todas essas histórias serão parte de um documentário e um livro: Minha família chamada mundo.”

Ao longo da jornada, cenas foram gravadas para um filme sobre a vida e os feitos de Sartorato. Além disso, a expedição serviu como base para um estudo sobre os limites do corpo humano. Exames médicos foram realizados antes do início e após o término da corrida. Além disso, durante toda a jornada foram monitorados indicadores como frequência cardíaca e glicemia.

Alexandre reforçou o propósito social da expedição. A volta ao mundo teve como bandeira o combate à fome, ao racismo, à miséria e a outras injustiças sociais.

Sem comida

Durante os 102 dias do desafio, Alexandre Sartorato consumiu mais de 800 mil calorias — um volume gigantesco de energia, mas ainda insuficiente diante da exigência física diária. “Parece muita coisa, mas, infelizmente, a alimentação ficou muito abaixo do razoável. Por diversos fatores, em vários dias fiquei sem comer por muitas e muitas horas. Isso prejudicou bastante”, relata.

A escassez de alimentos foi provocada, em grande parte, pela falta de estrutura em regiões remotas e pela dificuldade de acesso a refeições completas em alguns trechos do trajeto. Em vários momentos, o ultramaratonista correu longas distâncias sem sequer ingerir algo sólido e água.

O descanso também foi um capítulo à parte. Em muitos países, sem acesso a pousadas ou hotéis, Sartorato dormiu em uma pequena barraca de camping, montada no chão. A preparação para esse tipo de situação começou ainda em casa. “Durante alguns meses antes de correr o mundo, dormi muitas noites numa barraca montada na sala da minha casa. Sabia que enfrentaria dificuldades e me preparei para isso”.

Novos Desafios

Insaciável, Sartorato não pretende parar e já tem novas jornadas em seu horizonte, entre elas, a Volta ao Mundo em 80 dias. “Vou treinar por alguns anos e tentar realizar, mantendo a fé em Deus, a disciplina e a determinação”, diz. Enquanto se prepara para tal feito, o atleta tem mais objetivos em mente. “Vou gravar cenas para o filme, fazer algo sobre a minha família chamada “mundo” e tentar ajudar a desenvolver um modelo de tênis. Ainda vou decidir qual farei primeiro. Independente da escolha, a preparação física e psicológica é muito parecida. Pretendo mudar algo em relação ao apoio. Para fazer o Mundo em 80 dias, terei que realizar muitos e muitos dias de 15h a 18h, e, para isso, o apoio deve estar muito bem-preparado fisicamente e, sobretudo, psicologicamente”, completa.

 

FOTOS DE BOB NAKABAYASHI