
Em entrevista exclusiva ao Jornal da Orla, o secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes, comentou sobre o atual momento do Polo Industrial. No mês em que se comemora o Meio Ambiente, o município celebra dados que reforçam seu protagonismo na transição ecológica. Cubatão que na década de 1980 era marcada pela alcunha de “Vale da Morte”, devido aos altíssimos índices de poluição e degradação, atualmente é citada internacionalmente como modelo de integração entre indústria e sustentabilidade.
Como o senhor avalia a transformação ambiental de Cubatão nos últimos anos, especialmente considerando que estamos comemorando quatro décadas do programa “Vale da Vida” da CETESB?
A transformação ambiental de Cubatão é um exemplo emblemático de superação. De símbolo da degradação ambiental nos anos 80, o município passou a ser referência internacional em recuperação. A sinergia entre o setor produtivo, órgãos de controle, sociedade civil e poder público foi fundamental para viabilizar essa virada histórica, mostrando que é possível aliar desenvolvimento industrial e responsabilidade ambiental.
Hoje, com a redução de 90% nas emissões de poluentes do ar, como isso impacta a competitividade das indústrias locais?
A redução da poluição atmosférica sem dúvidas fortaleceu a reputação do Polo Industrial, atraindo novos investimentos e ampliando mercados. Atualmente, empresas instaladas em Cubatão operam com padrões ambientais elevados, o que agrega valor aos produtos e impulsiona a competitividade, especialmente em setores que priorizam cadeias produtivas sustentáveis. Hoje, nosso maior desafio é global, tendo em vista que as cadeias de produção são diariamente impactadas por guerras militares e/ou comerciais, isso reflete diretamente aqui.
Com as novas regulamentações ESG (sigla para Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança) que entram em vigor até 2027, como o Polo Industrial está se preparando?
Temos dialogado muito com as indústrias. A maioria, multinacionais que já têm essas premissas. Algumas estão se antecipando às exigências ESG, com investimentos em inovação, digitalização de processos e governança ambiental. Há um esforço coordenado entre empresas, poder público e entidades reguladoras para garantir que o cumprimento das metas seja não apenas uma obrigação, mas uma vantagem estratégica, recentemente, ao final da Semana da Indústria, assinamos uma Carta Compromisso sobre essa questão.
Como a Secretaria está trabalhando para conciliar o crescimento industrial com as metas de descarbonização?
Temos uma conversa muito alinhada com a nossa secretaria de Meio Ambiente no sentido de adotarmos sempre uma política de desenvolvimento que possua um licenciamento ambiental eficiente, incentivos às práticas inovadoras, busca de projetos que sejam de baixo carbono, entre outros. Em abril, assinamos o projeto ‘Cidades Carbono Neutro’ aceitando esse compromisso. Aproveito para destacar o Projeto Cubatão + Sustentável que temos trabalhado muito em articulação com o Centro de Integração e Desenvolvimento (CIDE), para garantir que as atividades do Polo tenham condições de operação e o crescimento industrial caminhe junto com a redução de emissões.
Ainda dentro do tema, como o Polo Industrial está se adaptando às demandas de logística verde e transporte sustentável e questões portuárias?
As atividades logísticas do Polo são de menor impacto se comparado ao Porto, que nesse caso é um assunto mais amplo para o qual necessitamos de um plano nacional mais ousado para ampliar nossa capacidade de estocagem na região portuária, ampliar as operações pelo modal ferroviário, ser mais eficiente na regulação dos caminhões que se dirigem ao Porto e ampliar as condições para que os caminhoneiros possam adquirir melhores veículos e operar com sistemas de gestão mais inteligente.
Que lições do passado ambiental de Cubatão são fundamentais para orientar as políticas industriais atuais?
A principal lição é que não há futuro para a indústria sem responsabilidade ambiental. O caso de Cubatão mostra que danos ambientais graves geram custos sociais e econômicos altíssimos. Por isso, hoje mantemos o diálogo sempre aberto para apontar caminhos. Ao longo desses anos priorizamos também a prevenção, o monitoramento contínuo e o engajamento das comunidades.
Qual sua visão para o Polo Industrial de Cubatão em 2050? Será muito diferente do que conhecemos hoje?
Com certeza. É importante ressaltar que acredito no desenvolvimento econômico sustentável como forma de reduzir as desigualdades sociais e gerar riquezas ao país e seus cidadãos. Penso que deve ser um espaço de inovação, resiliente às mudanças climáticas e com protagonismo internacional. Nosso legado deve ser o equilíbrio. A experiência de Cubatão ensina que é possível produzir, gerar empregos e crescer economicamente sem abrir mão da preservação ambiental. Nosso dever é garantir que as futuras gerações encontrem um ambiente saudável, uma indústria inovadora e uma sociedade mais justa.


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