
O mais tradicional festival de teatro da Baixada Santista está com inscrições abertas! O Festival Santista de Teatro (FESTA), chega para a sua 68ª edição, com inscrições até 31 de maio e de forma gratuita pelo site. O evento vai selecionar até oito apresentações, que receberão R$ 7 mil cada. As exibições serão realizadas entre os dias 21 e 30 de agosto e vão ocorrer em diferentes locais da cidade de Santos, como teatros, ruas, entre outros espaços.
O evento busca ocupar ruas, praças e espaços alternativos para ampliar o acesso à cultura e levar o teatro a públicos que, muitas vezes, não frequentam salas tradicionais, trazendo o teatro para a população e levando a cultura santista adiante.
Voltado para artistas, grupos e produtoras com atividade cultural na Baixada Santista, o FESTA aposta em obras até 70% inéditas e serve como uma oportunidade para novos artistas que buscam ascender no cenário teatral, gerando um espaço de conexão entre os mais novos e os mais experientes no teatro. “Ele é um catalisador, uma grande janela de talentos e oportunidades”, destaca o organizador do festival Junior Brassalotti.
O festival procura obras que quebrem paradigmas, que se desafiem enquanto linguagem e também o senso comum, acompanhando o momento histórico vivido na atualidade. “Esperamos encontrar pesquisas de linguagem, novos talentos. Queremos fazer a diferença na história do teatro brasileiro, então a expectativa é sempre a melhor possível”, comenta. “Ao mesmo tempo que temos obras que já estão em cartaz, que fazem parte da circulação da região, é importante termos espetáculos que estão chegando, e merecem uma janela de divulgação potente. Festivais são espaços assim, que você acaba mostrando o seu trabalho e gera um ciclo positivo muito bacana”.
Festival na Baixada Santista
Idealizado pela jornalista e ativista Patrícia Galvão (Pagu), em 1958, o FESTA carrega um legado histórico que atravessa gerações do teatro brasileiro. Ao longo dos anos, contou com diversas homenagens, sendo a mais recente dedicada aos 90 anos do dramaturgo Plínio Marcos, no ano passado. “Queremos manter o legado e a história dela. Essa herança é muito importante e ainda pulsa viva. Pouca gente sabe que o Teatro Municipal Brás Cubas foi uma briga dela – que nem chegou a ver o espaço pronto -, então queremos manter vivo esse legado e a chama para que novas ‘Pagus’ surjam”.
Segundo Junior, o evento muda ano após ano, e estão previstas novas homenagens nesta edição, buscando manter vivo o legado de quem ajuda a fazer o teatro, não apenas o santista. “Vemos grupos sendo expulsos dos seus lugares. Ao mesmo tempo que o estado incentiva a produção, ele destrói a possibilidade de continuidade de alguns trabalhos. Queremos levar essa provocação, para pensarmos sobre isso enquanto sociedade. Como lidamos com as heranças culturais diversas que temos aqui”, comenta Junior.
Ao longo de sua história, o festival atravessou momentos marcantes do país, vivendo sob a sombra da ditadura por anos, quando foi paralisado e retomado apenas no final da década de 80, seguindo desde então sendo realizado todos os anos.
Após anos, foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade de Santos, tornando-se parte da trajetória de quem faz teatro na região, seja participando, organizando ou acompanhando. Diferente de muitos eventos culturais, o festival é organizado por artistas da própria cena teatral, reforçando seu caráter coletivo e independente.
Mais do que um festival, o FESTA segue como espaço de resistência, criação e renovação do teatro na Baixada Santista, revelando novos talentos e preservando o legado de grandes artistas do cenário teatral.
*Estagiário sob supervisão de Isabela Marangoni


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