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Se flexibilização do isolamento virar chr39liberou geralchr39 será uma catástrofe

06/06/2020 Da Redação
Se flexibilização do isolamento virar chr39liberou geralchr39 será uma catástrofe | Jornal da Orla

Não vai ter outro jeito. O governador ou prefeito podem estabelecer o nível de restrição que for para conter o avanço do coronavírus, mas o sucesso do combate à doença está ligado diretamente ao comportamento da população. 

Empresários e autônomos pressionam o poder público para flexibilizar as atividades comerciais, numa tentativa de atenuar os prejuízos. 

O prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, acredita que a cidade tem condições para passar do grau de restrição máxima (vermelho) para um menos rigoroso (abóbora), mas ainda assim bastante limitador. Ele afirma que há dados que indicam uma redução na velocidade do contágio da doença e, além disso houve ampliação de leitos hospitalares e do número de testagens para o Covid-19, entre outros fatores. 

Porém, e sempre tem um porém, a manutenção, relaxamento ou endurecimento das restrições dependem diretamente do comportamento da população. Na verdade, o estabelecimento de proibições não é capaz de impedir o cumprimento das recomendações feitas por especialistas da área de saúde – usar máscara (direito), manter distanciamento, lavar as mãos etc. 

O simples anúncio de uma flexibilização nas restrições pode gerar uma falta impressão de que a situação “melhorou” e é possível “relaxar”.

Exemplo claro disso ocorreu no fim de semana passado. Com belos dias ensolarados, aconteceram diversas aglomerações, em várias partes da cidade. Emblemático foi o que ocorreu no calçadão da orla, na Ponta da Praia: pessoas passeando com o cachorro, andando de bicicleta, caminhando — algumas sem ou usando máscaras de modo ineficaz.

Entidades ligadas ao comércio garantem que os empresários estão preparados para retomar o atendimento presencial de clientes com medidas de segurança — exigência do uso de máscara, distanciamento entre as pessoas, restrição no número de clientes atendidos no estabelecimento, limpeza contínua, uso de álcool gel etc. Será?

 

No Brasil, uma morte por minuto com tendência de alta

 

 

Os dados oficiais (que não incluem as subnotificações) evidenciam uma situação extremamente preocupante. Na quinta-feira (04), o Brasil atingiu a catastrófica marca de uma morte por minuto. Na Baixada Santista, e velocidade de óbitos por dia acelera: 17 na segunda-feira (1º), 17 na terça (2), 19 na quarta-feira (3) e 22 na quinta-feira (4).

Santos, a cidade que mais realiza testes, confirmou na sexta-feira 4.618 casos de covid-19 e 175 mortes em decorrência da doença (além de outros 30 óbitos suspeitos de novo coronavírus).

Os dados divulgados diariamente pela Secretaria de Saúde de Santos indicam o que parece ser uma estabilização na velocidade de avanço da pandemia, mas mostra também uma taxa de ocupação de leitos de UTI preocupante: 71% dos 271 existentes, sendo 57% dos leitos vinculados ao SUS (públicos) e 83% em hospitais privados. 

Evidente que todos nós estamos cansados de ficar em casa e preocupados com a situação econômica, mas um “liberou geral” neste momento pode ter consequências catastróficas. Por mais que as prefeituras mobilizem um grande contingente de fiscais e guardas municipais ou mesmo chamar a polícia, ainda assim não será suficiente se cada cidadão não agir com responsabilidade.

A consequência imediata é retornar a um nível de restrição ainda maior, com a diferente de, neste intervalo de tempo, haver mais vítimas do novo coronavírus — inclusive fatais.