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Doria recua e reduz restrições na Baixada Santista

30/05/2020 Da Redação
Doria recua e reduz restrições na Baixada Santista | Jornal da Orla

Quando o governador João Dória divulgou na quarta-feira (27) o plano estadual de flexibilização da economia, o estranhamento, misturado com indignação foi geral: o mapa exibia a capital paulista na cor laranja, ilhada por uma grande área vermelha – os municípios da região metropolitana e os da Baixada Santista.

Após intensa pressão, no meio da tarde de sexta-feira (29), Dora recuou e reduziu o índice de restrição. A mudança de posição ocorreu após prefeitos do ABCD e do litoral Paulista ameaçarem em romper com o plano estadual, indo à Justiça para terem o direito de estabelecer os próprios parâmetros de restrição.

Inicialmente, o Governo do Estado demonstrou intransigência para reconsiderar a classificação. Destacado para dialogar com os prefeitos, o secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Marcos Vinholi, dizia que uma nova avaliação só seria feita dia 15.

O secretário afirmou que os níveis de restrição foram estabelecidos com critérios objetivos, que indicam que a capital reunia condições de flexibilizar o isolamento e a Baixada Santista, não.

Segundo ele, era possível liberar uma parte da atividade econômica em São Paulo por conta da aquisição de novos respiradores artificiais, ampliação no número de leitos hospitalares e estabilização na evolução da doença.

Vinholli afirmou que a taxa de ocupação de leitos na Baixada era superior a 80% e o número de mortes por covid-19 nos últimos 15 dias “aumentou assustadoramente”.

Fortemente pressionado, Vinholi fez três reuniões com prefeitos da Baixada. Na primeira, na quarta-feira (27) permaneceu irredutível. Na segunda reunião, na quinta-feira (28) os prefeitos apresentaram estatísticas que mostravam que a Baixada Santista tem melhores condições do que do que as apresentadas pelo Estado, em relação ao número de leitos de UTI.  "Há um conflito de números, mas colocamos argumentos técnicos com base na matemática provando que não há motivos para que a baixada esteja na zona vermelha e a capital na zona laranja.

“É inconcebível que a capital, o epicentro da pandemia no Brasil, esteja melhor que a Baixada Santista" , disse o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa.

“Para estar na zona vermelha, teríamos que ter menos de três leitos de UTI por 100 mil habitantes, mas temos mais de 15. Números de casos e óbitos confirmados também não nos enquadram nessa fase”, argumentou.

Barbosa acredita que o item discrepante é o relativo à capacidade hospitalar: o Estado considera que a taxa de ocupação de leitos de UTI na região está acima de 80% e abaixo de 3 para cada grupo de 100 mil habitantes. Segundo o prefeito, este cálculo não levou em consideração a rede privada. “Temos 15,7 leitos para cada 100 mil moradores e taxa de ocupação de UTI de 60% a 65%”.

Na quinta-feira ouvir nova reunião desta vez, além de Vinholi, com as participações do coordenador do centro de contingência no coronavirus, Dimas Covas, e do secretário estadual de Turismo Vinícius Lummertz. O encontro foi tenso e, apesar dos dados apresentados pelos prefeitos, os representantes do governo estadual não cederam.

A terceira e decisiva reunião aconteceu na sexta-feira (29). Os representantes do governo estadual já foram ao encontro cientes da posição manifestada pelos prefeitos do ABCD, que ameaçaram romper com o plano estadual e seguir um caminho próprio. Temendo que os prefeitos da baixada santista fizessem o mesmo, Doria decidiu recuar.

A oficialização da mudança do status de 'alerta máximo' (vermelho) para 'controle com restrições' (abóbora) acontecerá na quarta-feira (3), quando também serão anunciados os detalhes da fiscalização das atividades.