
A anúncio do Governo do Estado, na quarta-feira (27), de que não haverá flexibilização das restrições na Baixada Santista, foi um verdadeiro banho de agua fria. A classificação da região como zona vermelha pegou de surpresa não só os prefeitos, mas também técnicos das secretarias de saúde, finanças e até mesmo das guardas municipais, que estavam otimistas com a possiblidade de início de um ciclo virtuoso para a retomada da economia e, na medida do possível, o retorno à “vida normal” (ou “novo normal”, como muitos dizem).
“Estamos sendo penalizados por fazer a coisa certa”, disse o secretário de Governo de Santos, Rogério Santos, ao participar do programa “Ponto de Vista” de quarta-feira (27), na Santa Cecília TV. Entre os critérios, o Governo do Estado levou em conta o número de casos confirmados de Covid-19. “Nós temos esta quantidade justamente porque fazemos mais exames do que outras cidades. É a mesma injustiça que Santos sofreu na década de 1990, quando foi chamada de ‘capital brasileira da Aids´ por fazer estatísticas sérias sobre a doença, em vez de ocultar a real situação”, destacou.
Rogério Santos também estranha a flexibilização do isolamento na cidade de São Paulo, ao mesmo tempo em que em todas as demais 38 cidades da região metropolitana da capital isso não aconteceu. “Basta ver o mapa, a capital é uma ilha laranja cercada por municípios em vermelho”.
É inconcebível o epicentro da pandemia estar melhor que a Baixada, diz Barbosa
Após reunião do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), o presidente do órgão, o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) informou que já foi solicitado ao Governo do Estado a revisão desta classificação. “Nos critérios estabelecidos pelo Estado, há um conflito dos números estaduais com os dos municípios. Colocamos os argumentos técnicos, com base na matemática. Não há motivos para que a Baixada Santista esteja na zona vermelha e a capital na zona amarela. É inconcebível que a capital, epicentro do coronavírus no Brasil, esteja classificada numa fase mais flexível do que a Baixada Santista”, declarou. “Para estar na zona vermelha, teríamos que ter menos de três leitos de UTI por 100 mil habitantes, mas temos mais de 15. Números de casos e óbitos confirmados também não nos enquadram nessa fase”, argumenta.
Barbosa acredita que o item discrepante é o relativo à capacidade hospitalar: o Estado considera que a taxa de ocupação de leitos de UTI na região está acima de 80% e abaixo de 3 para cada grupo de 100 mil habitantes. Segundo o prefeito, este cálculo não levou em consideração a rede privada. “Temos 15,7 leitos para cada 100 mil moradores e taxa de ocupação de UTI de 60% a 65%”.
Governo do Estado descarta rever restrições antes do dia 15
O secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Marco Vignoli, descartou qualquer possibilidade de rever as restrições impostas às cidades do Litoral e da região metropolitana de São Paulo antes de 15 de junho. “Estamos abertos ao diálogo, para explicar os detalhes dos critérios”, disse.
O secretário afirmou que os níveis de restrição foram estabelecidos com critérios objetivos, que indicam que a capital reúne condições de flexibilizar o isolamento e a Baixada Santista, não.
Segundo ele, foi possível liberar uma parte da atividade econômica em São Paulo por conta da aquisição de novos respiradores artificiais, ampliação no número de leitos hospitalares e estabilização na evolução da doença.
Vignolli afirmou que a taxa de ocupação de leitos na Baixada é superior a 80% e o número de mortes por covid-19 nos últimos 15 dias “aumentou assustadoramente”.



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