Notícias

Flexibilizar isolamento deve seguir critérios científicos

25/04/2020 Da Redação
Flexibilizar isolamento deve seguir critérios científicos | Jornal da Orla

Os dados indicando que o número de casos de Covid-19 não explodiu na Baixada Santista mostram que o isolamento social vem funcionando e, mais do que nunca, ele precisa ser mantido. As pessoas têm a falsa sensação de que o problema “não era tão grave” assim e, portanto, podem voltar à normalidade. 

É justamente o contrário. 

É natural que as pessoas queiram voltar às atividades cotidianas — trabalhar, atividades esportivas e de lazer, convivência social. Outro aspecto que pressiona este desejo é o econômico: muitos pequenos empresários, autônomos e microempreendedores já sentem a queda no faturamento e temem o futuro próximo. 

O infectologista Marcelo Naveira alerta que o achatamento da curva de evolução dos casos de Covid-19 “não ocorreu porque você lavou as mãos ontem, mas porque tem lavado as mãos o mês inteiro e não expos o seu próximo à infecção”. 

“Não se iluda, tenha empatia! Conecte-se com os demais, entenda que o que fizer hoje terá um impacto negativo muito rápido. Eu compreendo que as pessoas queiram comprar ovos de Páscoa, mas essa não é a nossa prioridade. Nossa prioridade é termos mais páscoas para serem celebradas”, afirma.

Outro infectologista, Evaldo Stanistau lembra que o controle, ainda que com muita dificuldade, do avanço da pandemia, é resultado direto das medidas restritivas iniciadas há um mês. “Mas se as pessoas passarem a desrespeitá-las, poderá haver uma alta ainda maior em duas ou três semanas. Podemos ser vítimas do nosso próprio sucesso”, destaca.

 

Flexibilização
Na quinta-feira (23) epidemiologistas foram unânimes em ressaltar a necessidade de as pessoas permanecerem em casa e que qualquer tentativa de flexibilizá-la deve ser amparada por estudos científicos. E é o que está sendo feito. Foi iniciado esta semana um estudo epidemiológico com metodologia internacional que vai testar um de cada 180 habitantes da região. O objetivo é verificar o avanço da pandemia na região.

Serão feitos testes rápidos, com coleta de sangue, e entrevistas. “Vamos medir o quanto de pessoas na Baixada Santista já teve contato com o vírus, pois 80% são pacientes assintomáticos ou com quadro de sintomas leves, 15% com sintomas moderados e 5% graves”, explica o infectologista Marcos Caseiro.

Os resultados devem ser anunciados em 10 de maio, dois dias após o fim da quarentena estabelecida pelo Governo do Estado.

O secretário de Governo da Prefeitura de Santos, Rogério Santos, afirma que vem sendo realizadas reuniões com representantes do comércio e outros segmentos produtivos da cidade, para ouvir sugestões e reivindicações. Mas qualquer medida de flexibilizar será feita amparada com base científica. 

 

Máscara
O infectologista Ricardo Hayden explica que diversos estudos vem comprovando a efetividade do uso de máscaras para evitar a proliferação do novo coronavírus. “Ajuda a evitar transmitir e também ser contaminado”, revela. No entanto, ele alerta que apenas o uso da máscara não basta. Há outras formas de contágio, como o contato com objetos e superfícies, como balcões, corrimões e botões de elevador. 

 

Isolamebnto físico, não social, pois as novas tecnologias permitem que não se percam totalmente os vínculos sociais.