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Resenha da semana: Vice

02/02/2019
Resenha da semana: Vice | Jornal da Orla

Primeiro, vamos analisar a trajetória e olhar com atenção a carreira do diretor Adam McKay. O diretor tem longa carreira na comédia, começando com pequenos trabalhos no Saturday Night Live até longas como O Âncora, com Will Ferrel. Em 2015, surpreendeu a todos se reinventando com o excelente A Grande Aposta, onde destrinchou, fugindo do didatismo, a crise imobiliária de 2007  e trazendo um dinamismo aliado a um ritmo enérgico, o que facilitou a aproximação do público com o conteúdo e acabou sendo indicado ao Oscar de melhor diretor. Agora em 2018, McKay retorna com uma proposta similar, mas desta vez deixando de lado a crítica ao sistema financeiro e atacando outro tema ainda mais polêmico: a política. 

O filme inicia mostrando a juventude, Dick Cheney (Christian Bale) que se aproximou do Partido Republicano ao ver na política uma grande oportunidade de ascender de vida. Para tanto, se aproxima de Donald Rumsfeld (Steve Carell) e logo se torna seu assessor direto. Com a renúncia do ex-presidente Richard Nixon, os poucos republicanos que não estavam associados ao governo ganham imediata importância e, com isso, tanto Cheney quanto Rumsfeld retornam à esfera de poder do partido. Décadas depois, com a decisão de George W. Bush (Sam Rockwell) em se lançar candidato à presidência, Cheney é cortejado para assumir o posto de vice-presidente. Ele aceita, mas com uma condição: que tenha amplos poderes dentro do governo, caso a chapa formada seja eleita. Agora indicado ao Oscar pela segunda vez como melhor diretor, McKay não perdeu seu cinismo e acidez mostrado em seu filme anterior e continua com imensa criatividade e bom humor, mostrando desde o início do longa sua contrária posição política com aquele partido e retratando Cheney como um homem medíocre e bêbado pelo poder. Com uma imensa habilidade em facilitar e inserir o público de forma didática a temas complexos, o diretor continua com suas excepcionais técnicas de edição e quebra da quarta parede (onde o personagem fala com o público) junto a hilárias vinhetas e com direito até a créditos finais subindo no meio do longa, o que pode soar um pouco exagerado para alguns. O roteiro, também escrito pelo diretor, me pareceu um pouco arrastado e sem saber o verdadeiro tom que queria abordar, onde por muitas vezes mostra sua indefinição, atrapalhando a mensagem final do filme ao criar situações cômicas para logo depois voltar ao tom sério e grave que a história, de fato, exigia. O problema é que o roteiro não consegue manter a mesma força e energia de seu filme anterior, tornando-se arrastado e repetitivo, com alguns poucos momentos inspirados, o que infelizmente faz com que Vice se perca em suas muitas tentativas de tentar ser tudo.

Porém, as atuações estão afiadíssimas e conseguem manter todas as idéias e o ritmo do filme nos eixos. Christian Bale é um dos maiores atores de nossa geração. Extremamente comprometido e dedicado em todos os seus papéis, o ator é um camaleão e aqui desaparece no personagem, onde não sabemos quem é o ator e o verdadeiro Dick Cheney. O restante do elenco não chega aos pés do ator, mas vale a pena destacar o trabalho de Amy Adams, como sua esposa, e o hilário trabalho de Sam Rockwell, como George W. Bush.

Vice não atinge o mesmo impacto que A Grande Aposta alcançou, pois ao mirar em vários alvos, acerta muito poucos. Mas mesmo assim, conta com excelentes atuações, um trabalho de edição e montagem fantástico e um promissor diretor que sabe, como ninguém, entreter com qualidade.

Curiosidade: Segundo filme de Adam McKay protagonizado por Christian Bale. O primeiro foi o sucesso A Grande Aposta.  
 

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Foto: Reprodução