
O Jornal Nacional, noticiário de maior ibope na televisão brasileira, conseguiu a façanha de estragar a oportunidade de tirar dos candidatos à Presidência da República, mais bem colocados nas pesquisas, suas propostas para tirar o país da crise e iniciar a construção de uma nova Nação.
Os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos resolveram debater com os principais candidatos ao invés de questioná-los sobre suas propostas. O resultado foi desastroso. De segunda a quinta-feira milhões de brasileiros assistiram a um verdadeiro festival de grosseria por parte dos dois apresentadores, que interrompiam a todo instante o entrevistado, e queriam impor suas ideias.
Sermão
Na verdade, o JN pareceria disposto a dar um sermão nos candidatos, questionando valores morais e colocando todos num mesmo balaio. As propostas dos presidenciáveis aparentemente era o que menos importava.
De Bolsonaro, Bonner e Renata tiveram de ouvir que a Globo contrata seus profissionais por PJ (Pessoa Jurídica), o que faz com que ambos, patrões e empregados, paguem menos impostos; que a Globo recebe bilhões em propaganda do governo federal e que Roberto Marinho apoiou e enalteceu a ditadura militar.
Só para os ricos?
Bonner e Renata também tentaram desqualificar a proposta de Ciro Gomes de retirar o nome de milhões de brasileiros do SPC. Tiveram de engolir uma cartilha apresentada pelo candidato explicando todo o plano. Ciro ainda lembrou que o Brasil está acostumado a refinanciar a dívida dos ricos, jamais a dos pobres…
Bola fora
Com Alckmin foi ainda pior: Renata perguntou ao tucano como ele se sentia tendo o apoio do ex-presidente Fernando Collor, hoje senador, que é acusado de vários crimes pela Operação Lava Jato. “O Collor apoia outro candidato”, respondeu Alckmin. Nem isso os dois apresentadores do JN sabiam.
Coerência mantida
Também tentaram questionar Marina Silva sobre apoios indesejados, mas a candidata explicou que tem mantido a coerência e que políticos suspeitos não integram sua coligação. E Marina ainda defendeu a memória do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, cuja reputação foi colocada em dúvida pelos dois apresentadores.
Faltou elegância
Em todas as entrevistas os candidatos foram tratados de maneira deselegante por Bonner e Renata, que invarialmente os impediam de concluir suas explicações.
No embate realizado ao longo de quatro dias com Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Marina Silva fica difícil dizer quem se deu melhor junto ao eleitorado. A única certeza é de que os dois apresentadores da Globo perderam. E feio.
Quem sabe na próxima?



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