
Em campanha pelo litoral de São Paulo, o deputado federal Ricardo Tripoli, que disputa uma cadeira no Senado pelo PSDB, apresentou suas principais propostas aos eleitores em entrevista ao Jornal da Orla. Ambientalista e defensor de uma política de proteção aos animais, Tripoli, como líder tucano, votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e pelo acolhimento das denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB).
Jornal da Orla – Por que o senhor decidiu disputar uma vaga no Senado?
Tripoli – A função do Senado é representar o Estado, diferentemente da Câmara, na qual os deputados representam diretamente a população. E São Paulo tem sido vítima de injustiças na relação federativa que precisam ser corrigidas. A principal delas é que o Estado arrecada 41% dos impostos federais, mas recebe menos de 7% de contrapartida.
Jornal da Orla – O senhor fala em redistribuição, mas a carga tributária é muito alta…
Tripoli – É verdade. E acho que temos de reduzi-la numa ampla reforma tributária. Quando eu era secretário do prefeito Mário Covas reduzimos o ICMS sobre 20 produtos em São Paulo e notamos que isso resultou num aumento de produção, de mais consumo e geração de renda. A arrecadação em vez de cair, aumentou.
Jornal da Orla – A falta de segurança é hoje um dos maiores temores da população. Como resolver a questão?
Tripoli – Para além da questão de melhorar as polícias e rever o Código Penal, é preciso impedir que o crime organizado dite as regras nos presídios.
Jornal da Orla – O que o senhor acha dos privilégios de parlamentares, juízes e procuradores?
Tripoli – Totalmente contra o foro privilegiado e contra este aumento inoportuno dos salários do STF. Parlamentar tem direito à imunidade de opinião, mas não pode ser privilegiado quando comete crimes comuns. O foro privilegiado deve ser extinto, assim como os privilégios corporativistas.
Jornal da Orla – Quais sãs as reformas necessárias para o país voltar a crescer?
Tripoli – Teremos uma agenda importante que será ou não legitimada pelas urnas. Estas eleições são as mais atípicas desde a redemocratização. E temo que questões como as reformas tributária e da Previdência não tenham a devida atenção. Quanto à Previdência, faço uma ressalva para os mais idosos. Eu estou muito preocupado com esta parcela da população. Primeiro, porque hoje o aposentado voltou ao mercado de trabalho e tem que pagar INSS, o que acho injusto. Quero INSS zero para as pessoas que, após aposentarem, continuam no mercado. Outra questão é a dos planos de saúde, que têm mensalidades abusivas para as pessoas que pagaram a vida inteira e, quando mais precisam, são expulsas deste benefício. É preciso haver uma regulamentação protetiva neste setor. Estas propostas visam consertar uma injustiça social.



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