Santos

Dor nos ombros é sinal de alerta!

03/03/2018 Da Redação
Dor nos ombros é sinal de alerta! | Jornal da Orla

Dor no ombro, que irradia para o braço, ou dificuldade para fazer movimentos, como pegar objetos em cima de um armário, pode indicar um problema muito mais sério do que apenas uma lesão muscular, como muitas vezes é confundido. Problemas no ombro constituem a terceira doença musculoesquelética mais frequente, perdendo apenas para dores e patologias da coluna, e pode ser incapacitante caso não tratada.

Segundo a fisioterapeuta Walkiria Brunetti, o ombro é a articulação com maior mobilidade que o corpo humano tem, porém é justamente essa característica que o deixa tão vulnerável às lesões. "Com o avanço da idade, a chance de desenvolver problemas nesta articulação é exponencialmente maior. Além disso, alguns esportes, o uso de computadores ou celulares e algumas profissões, também são fatores de risco para patologias nos ombros", aponta.

Outro fator de risco está relacionado à anatomia do ombro. A fisioterapeuta explica que existe uma ponta óssea no ombro, o acrômio. Ele pode ser reto, curvo e enganchado. "Quanto mais curvo o acrômio, maior será o risco de desenvolver lesões", informa.
 

Lesão do Manguito Rotador

O nome é estranho, mas essa estrutura, o manguito rotador, ajuda nos movimentos de elevação e rotação dos braços, estabilizando a cabeça do úmero (osso superior dos braços) dentro do ombro. Por isso, lesões no manguito podem ser incapacitantes, já que limitam o movimento dos ombros.

"A lesão do manguito rotador pode ser causada por um trauma ou pelo desgaste natural relacionado ao processo de envelhecimento, assim como por esforços e movimentos repetitivos. O sintoma mais comum é dor na frente do ombro que irradia para a lateral do braço", explica Walkiria. 
A dor costuma piorar quando a pessoa precisa realizar algum movimento acima do nível dos ombros, como pegar um objeto no alto ou dormir de lado sobre o ombro lesionado, por exemplo. Há também perda da força no braço afetado e dificuldades para atividades do dia a dia, como pentear os cabelos ou amarrar o sapato.

Diagnóstico precoce é fundamental

Walkiria chama a atenção para o fato de que a lesão pode piorar e isso acontece em cerca de 40% dos casos. "No começo a pessoa pode pensar que é um mau jeito, algo passageiro e, com isso, não procura o médico. Esse atraso na busca de ajuda pode aumentar o tamanho da lesão, o que piora a dor e pode levar à perda da força".

O diagnóstico é feito pelo médico, que irá solicitar exames de imagem para poder avaliar a extensão e a gravidade da lesão. Em alguns casos, não há ruptura, portanto, a dor está mais relacionada a uma inflamação dos tendões, ou seja, é considerada uma tendinite. O tratamento inicial é conservador, com uso de medicamentos antiinflamatórios e fisioterapia. Depois de três meses, se não houver melhora, pode ser indicada a cirurgia. 

Além da fisioterapia e dos medicamentos, Walkiria reforça que é importante reeducar o paciente sobre hábitos que podem levar a uma recorrência do problema. "É preciso evitar ficar muito tempo com os braços para cima, dormir em cima do ombro, abusar do celular, do computador e de esportes que forcem os ombros", orienta.