
A história de uma cidade é resultado da vida de sua gente. Conheça alguns personagens cujas atuações foram fundamentais em aspectos importantes de Santos, como a conhecemos hoje.
Filho de Escolástica, pai da Santa Casa

Filho fora do casamento do conselheiro João Otávio Nébias (que empresta o nome a uma das principais avenidas de Santos), João Otávio dos Santos, prosperou e reuniu grande patrimônio, principalmente imóveis. Nos seus últimos dez anos de vida, dedicou-se exclusivamente à Santa Casa da Misericórdia, de 1875 a 1878 e de 1883 a 1896. Dizia que o hospital era "sua filha querida" e "a menina dos seus olhos". Sua ajuda foi fundamental para que a Santa Casa de Santos não fechasse as portas e seja importante até hoje. Solteiro, sem filhos, deixou todas as propriedades para a Santa Casa — com exceção de uma. Em frente à praia, ela deveria abrigar uma escola técnica para crianças pobres e levar o nome da sua mãe, uma ex-escrava. Em 1º de janeiro de 1908, oito anos após a morte de João Otávio, foi inaugurado o Instituto Dona Escolástica Rosa.
O idealizador do porto organizado

Gaúcho de Pelotas, Francisco de Paula Ribeiro chegou a Santos em 1868, aos 17 anos, e começou trabalhando como varredor de armazém. Inteligente e trabalhador incansável, foi conquistando espaço e respeito -chegou a ser presidente da Associação Comercial de Santos. Após muita persistência, convenceu o cunhado, Eduardo Guinle, a acreditar na viabilidade de construir um grande porto em Santos. Chico de Paula conseguiu também um empréstimo junto ao Banco do Brasil para a construção do cais. Em 12 de julho de 1888 foi assinado pela Princesa Isabel o decreto que concedia a exploração do porto à Companhia Docas de Santos, de propriedade de Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée. Em 2 de fevereiro de 1892, foi inaugurado o primeiro trecho de cais, com 260 metros, com a atracação do navio inglês Nasmyth. Estava inaugurado o Porto de Santos, o maior e mais importante do Brasil. Chico de Paula, que tinha 14 irmãos, teve 22 filhos, 19 deles nascidos em Santos.
O embaixador

Entre ser goleiro do Santos FC, na década de 1930, e terminar seu último mandato como deputado federal, em 1982, muita coisa aconteceu na vida de Athié Jorge Cury. Foi o presidente mais longevo do clube de Vila Belmiro (de 1945 a 1971), inclusive, portanto, durante a Era Pelé e suas conquistas históricas e incomparáveis. Com parlamentar, era reconhecido como uma espécie de "embaixador" da Baixada Santista em Brasília – oferecia a própria residência para os visitantes pernoitarem na capital federal, na peregrinação por mais verbas e projetos.
Defensor das liberdades

O sergipano Quintino de Lacerda nasceu escravo, em 1855, e veio para Santos aos 19 anos. Inteligente, forte e elegante, ganhou a simpatia de seu senhor, que lhe concedeu a carta de alforria após oito anos de serviço. Organizou e comandou um dos maiores refúgios para negros escravizados do Brasil, o Quilombo do Jabaquara. Hábil, conquistou o apoio da população branca, que doava alimentos aos cerca de 2 mil quilombolas.
Com a abolição da escravidão e a proclamação da República, Quintino consolidou-se como líder da comunidade negra e dos trabalhadores portuários. Em 1895, foi eleito vereador (o primeiro negro no Brasil), mas o então presidente da Câmara, Manoel Tourinho, tentou impedi-lo de tomar posse -por racismo. Quintino ganhou na Justiça o direito de exercer o cargo e Tourinho renunciou ao mandato.
O homem dos canais

Até o início da século 20, Santos era um imenso brejo onde proliferaram doenças mortais como febre amarela, febre tifoide e malária. Em 1905, o engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito começou a implementar um ousado plano de saneamento para a época. A ideia principal era separar as águas pluviais (drenagem) das do esgoto (coleta e destinação) – conhecido como Sistema Separador Absoluto, amplamente utilizado em todo o Brasil atualmente. O plano incluiu também a construção de canais, que além de equalizar as águas das chuvas e das marés, dividiu a cidade em áreas e servem como pontos de referência até hoje. Também idealizou, em 1914, o jardim da orla de Santos, que só seria totalmente finalizado na década de 1960, pelo engenheiro Armando Martins Clemente.
Ligou a Cidade às praias

Grande proprietário de terrenos, Mathias Casimiro Alberto da Costa loteou terras, doou áreas para o município, mandou abrir ruas, avenidas e instalou linhas de bonde, permitindo a ligação do Centro ("a cidade") às praias. Puxado por burros, foi o primeiro sistema de transporte público de Santos. Hoje, o maior bairro em extensão territorial leva seu nome (Vila Mathias) e uma das principais avenidas da cidade, o de sua esposa: Ana Costa. Aliás, no início desta via, em frente à sede da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a Prefeitura instalou um busto em homenagem a Mathias da Costa.



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