
Carlos Mauri Alexandrino foi muito mais que um dos brilhantes jornalistas que Santos conheceu. Muito mais. Sessenta e cinco anos e uma alma de menino, eterno menino rebelde, que achava ser possível mudar o mundo. Acreditava na raça humana e na pureza dos corações de mulheres e homens que habitam o planeta. Essa pureza d'alma, que Deus reservou a poucos, fazia dele um dos grandes poetas da cidade e um ser especial. É possível que viesse daí a capacidade de escrever bem, de emocionar seus leitores, pois ele sentia a beleza em pequenas coisas, pequenos gestos, e desconhecia a palavra rancor.
Mauri começou sua carreira no Jornal Cidade de Santos, que fez história na região, na década de 1970 e depois trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, dois dos maiores veículos de comunicação do país; foi um dos idealizadores do D.O Urgente, diário oficial de Santos nas gestões Telma de Souza e David Capistrano, governos para os quais contribuiu com sua inteligência. Ao lado de Ricardo Marques produziu o livro "Sombras sobre Santos", que retratava o sofrimento da cidade durante o período mais cruel da ditadura militar.
Ao Jornal da Orla ofereceu uma gigantesca contribuição, com pautas, matérias e coluna semanal "Crônica de cidade", de grande repercussão entre os leitores.
Carlos Mauri Alexandrino e Beto Paschoalini foram meus dois melhores amigos durante o período que trabalhei com eles no Cidade de Santos e, posteriormente, no governo Telma de Souza. Compartilhamos muitas garrafas de vinho, sonhos e algumas desilusões. Acredito que tenha sido um dos períodos mais gratificantes de nossas vidas – acho que falo pelo Beto também.
Mauri era ainda um cara sortudo. Nas grandes dificuldades podia sempre contar com a força de Heloísa, companheira de uma vida. Morreu domingo (5) à noite, sem dor e nem sofrimento, traído precocemente pelo coração, nos braços do filho Daniel, com quem adorava trocar ideias. Além de Daniel, deixou as filhas Vanessa e Sabrina e o neto Diogo. O último dia foi um um domingo feliz, em família. Uma despedida que Deus só oferece aos escolhidos.
Vá, eterno moleque, vá brilhar com as estrelas!



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