
Michel Temer conseguiu torrar mais um pouco do escasso dinheiro do contribuinte para permanecer à frente do governo até o final de 2018, mas em Brasília já é considerado um "pato manco", como os americanos chamam um presidente impopular em final de mandato.
Até aliados mais conscientes reconhecem que o presidente, desmoralizado pelos fatos e pelas acusações da Procuradoria-Geral da República (que ainda terá de enfrentar assim que deixar a presidência), não tem mais força política para tocar as reformas anunciadas, entre elas a da Previdência. O máximo que Temer pode tentar serão reformas "meia boca", empurrando o abacaxi para o próximo presidente.
Câmara machucada
O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) admite que a instituição que comanda sai "machucada" por salvar o pescoço de um presidente tão impopular como Temer. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada na sexta-feira (27) Maia reconheceu que Michel Temer saiu "fragilizado" e que não tem mais votos (na Câmara) para aprovar projetos importantes.
Reforma da Previdência
Rodrigo Maia acredita que a reforma da Previdência dificilmente sairá do papel como foi projetada. O máximo que o governo pode conseguir, segundo ele, é garantir a idade mínima (65 anos para homens e 62 anos para mulheres) e o fim dos privilégios dos que ganham mais".
Segundo Maia, "se o governo não tem dinheiro para investimento é porque a Previdência vem engolindo todos os recursos disponíveis. Em 1998, ela custava 3,4% do PIB. Hoje custa 13%. Como é que isso se sustenta", pergunta ele.
Um fantasma no palácio
O fato é que Michel Temer conseguiu enterrar a segunda denúncia contra ele na Câmara dos Deputados utilizando-se de recursos pouco republicanos, mas agora segue como um presidente fraco, sem prestígio e autoridade para promover qualquer tipo de mudança importante.
Temer, enfim, é um fantasma que circula pelo Palácio do Planalto e que assusta parcela considerável de brasileiros.
Como a Câmara dos Deputados decidiu que em time que está perdendo não se mexe, o jogo segue horrível até o final de 2018.



Deixe um comentário