Uma Nação começa a desmoronar quando seus poderes perdem totalmente a credibilidade e abrem espaço para o crime organizado. Não estamos falando de bandidos que roubam e assaltam e tampouco de traficantes, mas de marginais de colarinho branco, que se travestem de autoridade e se acham no direito de comandar os destinos do país.
Neste contexto, estamos convencidos de que a história cobrará um alto preço da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Carmen Lúcia. A ministra provavelmente mandou para o lixo uma grande oportunidade de não apenas impor a autoridade da Suprema Corte, mas também a esperança de milhões de cidadãos de bem que ainda acreditavam na Justiça brasileira.
O acordo para salvar o pescoço do senador mineiro Aécio Neves (PSDB) funcionou em sua plenitude, mas representou um gigantesco retrocesso para o país. Tudo que a Operação Lava Jato representou de positivo está sendo descartado de forma melancólica.
Está em curso um processo para livrar da cadeia os grandes ladrões da República – e os tubarões que foram presos na Operação Lava Jato ficarão apenas registrados como um ponto fora da curva.
O voto de minerva da ministra Carmen Lúcia abdicou o STF de julgar políticos safados e ofereceu ao Senado, onde dezenas de representantes do "povo“ são acusados de falcatruas, a oportunidade de julgar seus próprios integrantes. Em uma metáfora, Carmen Lúcia, para evitar um conflito com o Legislativo, ofereceu aos vampiros o direito de tomar conta do banco de sangue.
A imunidade parlamentar é um direito assegurado nas democracias modernas aos representantes do povo para que não possam ser processados ou perseguidos por seus projetos ou por suas ideias. No Brasil velho de guerra é um mecanismo utilizado por parlamentares bandidos para se blindarem de ações judiciais. É uma espécie de “licença para roubar”.
O que causa espanto é que essa licença nojenta seja concedida com o voto de minerva da presidente do STF, aquela mesma senhora que prometeu: “ Os criminosos não passarão”.
Não só passaram, com o aval do próprio Supremo, como debocham do povo brasileiro. É um escárnio.
A República desmancha.



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