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Greve irresponsável

11/03/2017 Da Redação
É de uma irresponsabilidade absoluta a greve convocada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv). A paralisação contou com a adesão de parcela considerável dos funcionários, provocando o fechamento de escolas e de pelo menos uma unidade de saúde.
 
É irresponsável porque em 2016, quando o país já enfrentava o segundo ano consecutivo de forte recessão econômica, os servidores receberam 11% de reajuste, enquanto seus patrões, os munícipes de Santos, viam sua renda minguar e muitos perderam o emprego.
 
Não é segredo para ninguém, muito menos para os dirigentes sindicais, que costumam ser bem informados, que o Brasil atravessa a pior crise econômica de sua história. O populismo de 13 anos de governos petistas resultou em 14 milhões de desempregados e no fechamento de milhares de pequenas empresas. Uma tragédia.
 
O fantasma do desemprego apavora os santistas, assim como a todos os brasileiros. Tradicionais estabelecimentos comerciais da cidade fecharam suas portas, por conta da recessão econômica, colocando na rua da amargura centenas de funcionários, muitos deles com anos de casa. Não é possível, portanto, mensurar o tamanho do desastre.
 
O último estudo mostra que, em média, o brasileiro empobreceu 9,1% . O mais grave, no entanto, é quando o cidadão perde o emprego – junto perde a dignidade por não poder colocar comida na mesa de seus filhos. A autoestima vai à sarjeta.
 
Os servidores municipais estão livres de tudo isso. Eles têm estabilidade no emprego e inúmeros benefícios que seus verdadeiros patrões, os munícipes santistas, só conseguem em sonhos.  
 
A questão principal não é se os servidores merecem ganhar mais ou menos. O ponto crucial é que esta greve irresponsável prejudica milhares de santistas no momento em que todos comem o pão que o diabo amassou. Quem vai, por exemplo, cuidar das crianças que deveriam ir à escola?  Ou do santista que precisa de atendimento médico?
 
No governo Beto Mansur os servidores ficaram sete anos sem aumento, apesar de a economia estar em situação muito melhor. Não fizeram nenhuma greve. Ficaram pianinho. Vão fazer justamente agora, quando o santista mais sofre?
 
Se o prefeito Paulo Alexandre ceder a essa reivindicação inoportuna estará sendo mais irresponsável que os próprios grevistas. A população de Santos, mais do que nunca, exige respeito e responsabilidade social.