
Provavelmente é a pele morena, fruto de sua ascendência moura, que impede o deputado federal Beto Mansur (PRB) de ficar ruborizado quando tenta explicar o inexplicável. Como aconteceu na quinta-feira (24), quando fez o maior malabarismo verbal para justificar por que não seria nominal a votação sobre a anistia aos políticos que receberam dinheiro proveniente de caixa 2.
Se fosse nominal, o Brasil inteiro poderia saber como cada deputado votou. Caso contrário, a votação seria decidida pelos líderes de bancada -aí, não se saberia quem de fato é contra a anistia ao caixa 2.
“Quem pediu votação nominal não tinha número suficiente de parlamentares. Para pedir, precisa pelo menos 31 deputados, representados por suas lideranças. Não tinha, tinha 27”, justificou Mansur, que presidia a sessão da Câmara, tentando jogar a culpa no tal Regimento Interno da Câmara.
Deu ruim. Mansur recebeu uma saraivada de críticas ampla, geral e irrestrita. Até o pessoal do Movimento Brasil Livre (MBL) viralizou uma mensagem pela internet, descendo-lhe o sarrafo.
Reincidente
Não é a primeira vez que Mansur se envolve em confusão por causa de um projeto que prevê anistia aos políticos envolvidos com caixa 2. Em 20 de setembro, surgiu “do nada” uma proposta para ser votada, em sessão que ele (de novo!) presidia. Mansur tentou jogar a batata quente no colo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM): “Quem pauta os projetos é o presidente, eu só estava dirigindo os trabalhos”, disse.
Não colou. Após grita geral, o projeto foi retirado da pauta e ressurgiu agora, na forma de uma “jabuti” dentro do Projeto de Iniciativa Popular originalmente criado por procuradores da Operação Lava Jato.
“Não me envolvo com coisas erradas”
Mansur garantiu que é contra a anistia aos flagrados com caixa 2. “Tenho por volta de dez eleições nas costas. Não tenho problema com caixa 2, não tenho problemas com a Lava Jato e, graças a Deus, não me envolvo com coisas erradas. Nada de perdão para caixa 2, nem para quem está envolvido na Lava Jato”
Pensando bem…
Questionado sobre o episódio Geddel Vieira, o deputado federal Marcelo Squassioni (PRB), saiu-se com esta: “O ministro Geddel acertou em pedir seu desligamento, permitindo, assim, que se mantenha a estabilidade política no País em um momento delicado como que estamos vivendo, de pautas tão polêmicas quanto urgentes. O Brasil em primeiro lugar, sempre”, declarou.
Squassioni mudou de ideia.
Ele foi um dos parlamentares que assinaram um Manifesto de Apoio, que externa, entre outras coisas, “amplo e irrestrito apoio e confiança” a Geddel.
Direto
Já o deputado João Paulo Tavares Papa (PSDB) não subiu no muro e foi direto ao ponto: “Defendo o aprimoramento da legislação no combate à corrupção. E apoio a tipificação do caixa 2 como crime eleitoral”, declarou.
Soberba e truculência
Soberba e truculência foram dois dos principais fatores que derrubaram o ex-ministro problema Geddel Vieira Lima. O homem, que já tinha um passado pouco engrandecedor, achava que podia tudo. Deu no que deu. Tão ruim ou pior foi o presidente Michel Temer achar que seria possível dar cobertura para as estripulias do seu ministro e amigo. Uma postura que não condiz com o cargo de mais alto mandatário da Nação.
Como é que é, senador?
Além de ter o nome citado em delações na Lava Jato, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, se complica quando abre a boca. Agora resolveu atacar o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, por ter gravado a conversa com o presidente Michel Temer. Aécio diz que “foi um ato extremamente grave” e que “não parece algo ético”. Tudo bem. Ético é um presidente da República pressionar um ministro para favorecer os interesses pouco republicanos de um amigo…
Aos poucos, Aécio vai mostrando quem é. Do jeito que a coisa anda, é carta completamente fora do baralho nas eleições de 2018. O avô Tancredo, um político que fez história, deve estar se revirando no túmulo.
Ato falho
O ex-presidente Lula deu uma escorregada, ao comentar o tráfico de influência cometido por Geddel Vieira. “Vocês percebem que não dão destaque ao apartamento do Geddel como deram ao meu tríplex?”, disse, em discurso durante o Congresso do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), na quarta-feira (23). “Meu triplex”, Lula?
Delatores inocentam Lula
Em Curitiba, no processo conduzido pelo juiz Sérgio Moro sobre o tal tríplex de Guarujá, as oito testemunhas ouvidas até o momento (todos pegos na Operação Lava Jato), disseram que nunca trataram diretamente com Lula sobre esquemas fraudulentos, nem têm qualquer prova material que incriminem o ex-presidente. Os advogados de Lula acusam Moro de estar sendo parcial e, mais uma vez, acusaram o juiz de praticar “lawfare”, isto é, usar procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.
Moro bate boca com advogados
Na semana passada, os advogados tiveram uma áspera discussão com Moro. Contrariado com sucessivos pedidos de “questão de ordem”, o juiz, visivelmente irritado, acusou os defensores de tumultuar a audiência. “É inapropropriado”, disse.
“O juiz preside, mas não é o dono do processo. Aqui, os limites são a lei”, disse o advogado José Roberto Batochio. “É a interpretação do juízo”, retrucou Moro. “A interpretação do juízo aberra da Constituição e da Lei Processual Penal”, devolveu o advogado.
Pelo jeito, vem mais troca de chumbo por aí…



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