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Lula põe as barbas de molho

19/11/2016 Jornal da Orla
Lula põe as barbas de molho | Jornal da Orla
Com as prisões do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e, agora, do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), vai caindo por terra o argumento do ex-presidente Lula de acusar a Operação Lava Jato de ter como alvo exclusivamente figuras ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT).
 
A estratégia da defesa do ex-presidente agora é desqualificar as investigações e dar uma conotação política ao processo judicial. Em entrevista concedida a jornalistas estrangeiros em Genebra (Suiça), os advogados de Lula lançaram uma vacina: disseram ter certeza de que Lula será condenado porque o processo é viciado e classificaram a Justiça brasileira como “primitiva”. Para o advogado australiano Goeffrey Roberton, contratado para interceder pelo ex-presidente na Comissão de Direitos Humanos da ONU, o juiz Sérgio Moro age de forma “inaceitável”.
 
Administradora de reputações
A entrevista coletiva dos advogados de Lula na Suiça foi organizada pela BLJ London, uma empresa britânica especializada em “administrar reputações” que tem clientes como a grife Ralph Lauren, a Walt Disney Company e o Principado de Mônaco.
 
Tanto faz
O juiz Sérgio Moro dispensou Lula de participar das audiências do processo sobre o tríplex em Guarujá, na qual o ex-presidente é réu. As testemunhas começam a ser ouvidas na segunda-feira (21). Entre elas, Delcídio do Amaral, Paulo Roberto Costa, Fernando Baiano e Alberto Youssef – todos presos pela Lava Jato.
 
A prova dos 9 da Lava Jato
Mas a demonstração definitiva de que a Operação Lava Jato não poupa partidos políticos será dada quando os investigadores esclarecerem os fatos relacionados ao PSDB. Já apareceu denúncia de pagamento de propina na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, doação “por fora” de R$ 23 milhões para a campanha presidencial de José Serra em 2010, diversas delações premiadas mencionando o senador Aécio Neves na participação de esquemas fraudulentos e suspeitas de esquemas de corrupção durante governos tucanos em São Paulo.
 
Radicais livres e descontrolados
Num mesmo dia, duas manifestações violentas demonstraram que vivemos tempos sombrios e a tendência é piorar. Dois grupos radicais, um de esquerda e outro de direita, deram claras demonstrações de intolerância e violência explícita, contra ideias, pessoas e a democracia.
 
Na manhã de quarta-feira (16), o jornalista Caco Barcelos, da TV Globo, foi agredido no Rio de Janeiro, ao acompanhar a manifestação contra o governo daquela estado. Levou pontapés e chegou a ser atingido por um cone de sinalização de trânsito. Os autores? Militantes de esquerda, que o acusavam de trabalhar para a “mídia golpista”. 
O jornalista foi salvo da multidão enfurecida por um homem vestido com a camisa do Super- Homem.
 
À tarde, cerca de 50 pessoas invadiram o plenário da Câmara federal e pediram uma “intervenção militar” no governo. Acusaram Michel Temer de querer “implantar o comunismo”. Uma mulher do grupo viu, na bandeira do Japão, em uma obra para celebrar o centenário da imigração nipônica, um símbolo comunista.
 
Eu, hein?
Piada que correu em Brasília: o deputado federal Jair Bolsonaro (PRB) ficou tão assustado com a virulência dos manifestantes que gritavam pela volta da ditadura militar que sumiu do plenário…
 
Economia de borrachadas
Para quem estranhou a Tropa de Choque do Rio de Janeiro não ter distribuído borrachadas nos manifestantes, no protesto realizado quarta-feira (16), uma informação importante: entre os que protestavam, havia policiais de folga  – armados.
 
Processo nada democrático, diz Pestana
O vereador Ademir Pestana (PSDB) enviou nota à Redação contestando notícia publicada na semana passada neste espaço, de que teria pretensão de ser o próximo presidente da Câmara de Santos. “O que tenho a dizer é que o processo, como foi conduzido, não foi nada democrático”, afirmou. 
 
Três vereadores ouvidos pelo Jornal da Orla garantem que Pestana colocou, sim, seu nome à disposição e iniciou a costura de alianças, mas desistiu ao perceber que não teria apoio.